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Agronegócio
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Desafios do agro no Brasil em meio a crescimento econômico

Crescimento da agropecuária contrasta com graves dificuldades financeiras.

Gabriel Rodrigues16 de julho de 2026 às 07:05
Desafios do agro no Brasil em meio a crescimento econômico

Em 2026, o setor agropecuário do Brasil apresentou um crescimento positivo de 0,7% no PIB no primeiro trimestre, continuando um padrão de expansão após um impressionante aumento de 11,7% em 2025. Entretanto, apesar das boas notícias, desafios financeiros emergem, sinalizando um quadro delicado para os produtores.

A Conab projeta que a safra de grãos 2025/26 deve alcançar um recorde de 358 milhões de toneladas, com destaque para a soja, que está estimada em mais de 180 milhões de toneladas. As exportações do agronegócio também cresceram em torno de 4,5% em valor, impulsionadas, principalmente, por carnes e soja.

Embora os números positivos sejam promissores, eles mascaram uma realidade complexa e desafiadora enfrentada por muitos produtores.

Muitos produtores estão lidando com uma 'tempestade perfeita', uma expressão comumente usada para descrever a combinação de custos crescentes, preços de produtos pressionados, restrições de crédito e elevados níveis de endividamento. Esta situação, que ainda não se reflete totalmente nas estatísticas, pode afetar as safras futuras.

Os preços dos fertilizantes, por exemplo, subiram significativamente devido a conflitos internacionais, representando um risco adicional já que cerca de 85% dos fertilizantes consumidos no país são importados. Isso, por sua vez, torna o abastecimento nacional vulnerável a instabilidades geopolíticas.

Outros insumos, como o diesel, também viram um aumento considerável de preços, o que pesa ainda mais sobre as despesas de transporte em um país que depende majoritariamente de rodovias. Assim, torna-se evidente a necessidade urgente de melhorias logísticas que estão aquém da oferta de produtos.

Além disso, potenciais riscos climáticos, como um El Niño rigoroso, podem impactar negativamente as colheitas em diversas regiões. Por enquanto, as iniciativas destinadas à mitigação desses riscos permanecem limitadas.

Enquanto isso, a alta da taxa Selic e o aumento dos casos de recuperação judicial dificultam o acesso ao crédito, resultando em uma crescente restrição para custeio e investimentos.

Por outro lado, os preços que os agricultores estão recebendo não têm acompanhado o aumento dos custos, levando a uma pressão adicional nas receitas. A ampla oferta global de soja leva a uma queda nos preços e destaca também a limitação das capacidades de armazenamento internas.

Com barreiras comerciais e regulatórias crescendo nos mercados internacionais, o agronegócio brasileiro deve se adaptar rapidamente. Apesar de demonstrar forte capacidade produtiva, essa situação não se traduz automaticamente em lucro para os produtores, que enfrentam uma combinação de desafios críticos.

Portanto, além de soluções emergenciais, é necessário buscar avanços consistentes em logística, gestão de riscos e redução da dependência de insumos importados, através de políticas estratégicas de longo prazo que envolvam a colaboração entre os setores público e privado.

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Precisamos enfrentar as vulnerabilidades que vão além da porteira do campo.

Leandro Gilio, professor e pesquisador do Insper Agro Global

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