Mercados de grãos respondem a novas estimativas de estoque global

Os preços do milho e do trigo recuaram nesta sexta-feira, 10 de maio, em Chicago, influenciados por previsões climáticas favoráveis e ajustes nas estimativas de estoques globais.
O contrato futuro da soja para maio terminou o dia com um leve aumento de 0,90%, sendo negociado a US$ 11,758 por bushel. Esse desempenho é reflexo da divulgação do relatório do USDA, que apontou um aumento no consumo doméstico de soja nos Estados Unidos.
✨ O aumento na demanda interna, que salta de 38,49 milhões para 39,21 milhões de toneladas, marca um recorde histórico para a temporada.
Com uma previsão de exportação também recorde, de 17,60 milhões de toneladas, a recuperação do farelo de soja alavancou os contratos futuros, superando os desafios enfrentados anteriormente ao longo do ano.
No Brasil, a ANEC estima que as exportações de soja em abril fiquem em 15,78 milhões de toneladas, um número próximo ao de março, mas superior ao do mesmo mês no ano passado.
O milho para maio recuou 0,67%, fechando a US$ 4,410 por bushel. A expectativa de bons climas para o plantio da safra 2026/2027 no Meio-Oeste dos EUA explica essa queda.
O USDA reduziu a área com seca de 44% para 29%, aproximando-se das condições do ciclo anterior. No entanto, a oferta crescente de milho na Índia, com um aumento de 3,2 milhões de toneladas, gerou preocupações sobre o excedente.
Com a colheita de milho prevista para começar na segunda quinzena de maio, espera-se um aumento nas exportações. A ANEC projetou exportações para abril em 191.978 toneladas, bem abaixo das 886.410 toneladas de março, mas acima das 48.263 toneladas do ano passado.
O contrato futuro do trigo para maio fechou em queda de 0,60%, cotado a US$ 5,710 por bushel. A Granar SA atribui essa baixa ao aumento das estimativas de estoques finais de trigo nos EUA, que passaram de 25,34 milhões para 25,52 milhões de toneladas, contrária às previsões de analistas.
✨ A recente chuva nas Grandes Planícies do Sul alivia o déficit hídrico das lavouras de trigo de inverno, mas o quadro ainda requer mais umidade.
Atualmente, apenas 35% da safra de trigo é classificada como boa ou excelente, bem abaixo dos 48% do ano passado. A condição da área cultivada com trigo sob estresse hídrico aumentou para 68%, comparado a 32% em 2025.
O monitoramento climático e as projeções de mercado continuam a ser determinantes para as flutuações de preços nas commodities agrícolas, afetando tanto agricultores quanto consumidores.
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Jornalista especializado em mercado-financeiro

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