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Agronegócio
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Desafios do fósforo afetam agricultura tropical

Inclusão do elemento no solo não garante sua disponibilidade às plantas

Gabriel Rodrigues07 de julho de 2026 às 03:00
Desafios do fósforo afetam agricultura tropical

A persistente dificuldade de encontrar fósforo disponível para as plantas, mesmo em solos que apresentam grandes concentrações desse nutriente, é um dos principais obstáculos enfrentados pela agricultura tropical. Essa análise foi realizada pelo professor Leandro Simões Azevedo Gonçalves, da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Esse fenômeno, conhecido como paradoxo do fósforo, ocorre porque a quantidade total do elementos no solo não se traduz em sua absorção pelas raízes das plantas. Apesar do teor de fósforo variar entre 50 e 3.000 mg por kg, a fração disponível na forma de ortofosfato raramente excede 1% desse total.

O problema se agrava em solos tropicais mais antigos, que frequentemente são ácidos e intensamente intemperizados devido à chuva e ao calor. Esses solos são ricos em óxidos de ferro e alumínio, que se ligam ao fosfato, tornando-o menos disponível na solução do solo.

Mais de 30% do fósforo do solo está na forma orgânica, mas sua absorção é limitada.

Além disso, as formas orgânicas de fósforo, que representam entre 30% e 65% do total no solo, também são afetadas. O fitato, uma dessas formas, tem uma afinidade maior por óxidos do que o ortofosfato, dificultando ainda mais a absorção.

A dinâmica do fósforo envolve uma série de processos, incluindo dissolução, precipitação, sorção e dessorção, além da mineralização e imobilização. Esses processos controlam a entrada e a saída do fósforo na solução e sua conversão entre formas orgânicas e aquelas que podem ser absorvidas pelas plantas.

Além dos fatores químicos, uma camada física também representa um desafio. O fosfato se desloca lentamente pelo solo, o que significa que as raízes podem absorver o nutriente numa velocidade maior do que a sua reposição, gerando uma zona de depleção ao redor delas.

Esse cenário dá origem a duas frentes de investigação: a primeira trata do legado de fósforo, ou seja, o destino do nutriente acumulado após anos de adubação, e a segunda investiga estratégias que as plantas podem utilizar para extrair fósforo em condições de escassez. Isso inclui adaptações nas raízes e associações com microrganismos do solo.

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