Desafios no Mercado Global de Fertilizantes: Análise de Karina Gistelinck da BHP
A presidente da BHP avalia a volatilidade do setor devido a eventos geopolíticos e suas implicações para os agricultores.

O mercado de fertilizantes no cenário global enfrenta mais uma onda de instabilidade, a terceira em apenas seis anos. Após as dificuldades ocasionadas pela pandemia da COVID-19 e as incertezas geradas pela guerra na Ucrânia, a recente escalada de conflitos no Oriente Médio e as novas restrições de exportação impostas pela Rússia e China apresentaram novos desafios ao setor. Essa análise foi realizada por Karina Gistelinck, CEO de Potássio da BHP, a maior mineradora do planeta.
Impactos nos Negócios e Previsões
Embora o mercado de potássio não seja tão impactado quanto os fertilizantes nitrogenados e fosfatados, Gistelinck reconhece que a situação atual afeta os negócios, principalmente devido ao aumento dos custos de transporte marítimo. Para ela, isso pode resultar em uma diminuição temporária do uso do insumo pelos agricultores, que tendem a priorizar a compra de NPK, onde o nitrogênio é o componente predominante. "O agricultor pode optar por reduzir o uso de potássio, mas isso resultará em consequências na colheita seguinte", disse em entrevista ao Valor, durante uma visita a Brasília.
"O mercado de fertilizantes vai sofrer muita volatilidade nos próximos tempos
✨ A aplicação de fertilizantes é essencial para o solo brasileiro, que é deficitário em nutrientes.
Investimentos Significativos
BHP planeja extrair potássio da mina em Saskatchewan, Canadá, a partir de 2027, com um investimento de US$ 13 bilhões.
A presidente da BHP enfatizou que sua empresa visa ser o produtor de menor custo no Canadá, mantendo margens saudáveis no potássio. Com o custo de produção variando entre US$ 105 e US$ 120 por tonelada e os preços do fertilizante chegando a US$ 260, a mineradora faz um planejamento estratégico para entrar no mercado brasileiro com uma oferta estável e confiável.
- 1Expectativa de produção: 4,1 milhões de toneladas em 2029
- 2Meta de produção: 8,5 milhões de toneladas até 2033
- 320% da produção destinada ao Brasil
Necessidade de Cooperação e Inovação
Gistelinck enfatiza que a cooperatividade entre o setor público e privado é crucial para lidar com as instabilidades geopolíticas que afetam o fornecimento de insumos. Ela acredita que parcerias entre Austrália, Canadá e Brasil, com economias e potencial agrícola complementares, são fundamentais. Durante sua visita, Gistelinck se reuniu com responsáveis para discutir contratos de distribuição e se mostrou otimista com a sinergia existente entre os governantes brasileiros e as demandas do agronegócio.
"Precisamos traduzir intenções em ações
Por fim, a executiva alertou que, embora a dependência de importações seja necessária, o Brasil deve buscar aumentar sua produção interna de potássio. Reconhecendo que o país sempre será um grande importador devido a fatores geológicos, Gistelinck vê espaço para que a produção local cresça sem comprometer o comércio internacional.
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