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Agronegócio
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El Niño pode impactar soja e atrasar calendário do milho em MT

Incertezas climáticas afetam comercialização antecipada da safra de milho

Gabriel Rodrigues10 de junho de 2026 às 13:35
El Niño pode impactar soja e atrasar calendário do milho em MT

O fenômeno climático El Niño gera preocupações entre os produtores de soja e milho de Mato Grosso, com previsões de chuvas irregulares que podem atrasar o cultivo da soja e comprometer o planejamento ideal para a próxima safra de milho.

Segundo a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famato), apenas 4,77% da safra 2026/27 de milho foi comercializada antecipadamente, um indicador que está bem abaixo da média histórica de 9,1% para este período. Em comparação, no ano passado, a comercialização antecipada alcançou 5,6%.

O avanço da comercialização foi limitado devido às incertezas climáticas e à possibilidade de um intenso El Niño.

As dúvidas em relação ao clima, particularmente para o segundo semestre, infundem cautela nos agricultores. Com o potencial de um 'super' El Niño, as chuvas podem se comportar de forma irregular, impactando o desenvolvimento das lavouras. Milena Bezerra, analista de mercado do Imea, ressalta que o efeito na soja pode prejudicar também o plantio do milho, já que o milho é semeado após a colheita da soja.

Por conta da previsão de chuvas irregulares, alguns agricultores estão considerando o uso de sementes de ciclo mais longo para a soja, tentando minimizar os riscos de seca. Contudo, essa estratégia pode encurtar a janela de desenvolvimento do milho, segundo Marino Colpo, CEO da Boa Safra, citando os desafios da situação.

Atualmente, os preços do milho estão estáveis, com a saca de 60 kg negociada a R$45,39. Apesar da baixa taxa de comercialização antecipada, as vendas da safra atual de milho em Mato Grosso atingiram 47,32% até o final de maio, demonstrando um avanço em relação ao mesmo período do ano anterior, mas ainda abaixo da média histórica.

A expectativa é que a safra de milho de 2025/26 em Mato Grosso seja de 53,35 milhões de toneladas, o que representa uma redução de 3,76% em relação ao ciclo anterior. Mais de 5% da área já havia sido colhida até o final de semana passada, contribuindo para a pressão sobre os preços devido à maior disponibilidade do produto no mercado.

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