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meio-ambiente
3 min de leitura

Produção de arroz no RS pode reduzir emissões de metano

Estudos mostram que rotação com soja reduz em 54% gases de efeito estufa.

Fernanda Lima25 de junho de 2026 às 05:10
Produção de arroz no RS pode reduzir emissões de metano

A produção de arroz irrigado no Rio Grande do Sul está adotando práticas que visam mitigar as emissões de metano, um potente gás do efeito estufa. Estudos revelam que a rotação desse cereal com a soja pode levar a uma redução superior a 50% das emissões.

Resultados da pesquisa

Pesquisa realizada pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) divulgou que a rotação entre arroz e soja resulta em uma queda de 54% nas emissões de gases poluentes, ao mesmo tempo que mantém a produtividade nas lavouras. O estado do Rio Grande do Sul responde por aproximadamente 70% do arroz produzido no Brasil, essencial na alimentação da população.

Metade das áreas arrozeiras já está em rotação com soja, com previsão de aumento para 80% em 10 anos.

Dinâmica do solo e benefícios

A melhoria nas práticas agrícolas está ligada à dinâmica da matéria orgânica do solo. O arroz, ao ser cultivado, gera grande quantidade de palha que alimenta o processo de metanogênese. Em contraste, a soja, com menor quantidade de palha e baixa relação de carbono e nitrogênio, resulta em decomposição rápida, reduzindo a quantidade de carbono disponível.

Histórico da prática de rotação

Nos últimos dez anos, a rotação entre arroz e soja se intensificou entre produtores gaúchos. A abordagem usual das lavouras de arroz mantém as áreas alagadas, criando ambientes anaeróbios propícios para a produção de metano, levando à orizicultura a ser um significativo emissor desse gás. O uso de técnicas de preparo antecipado do solo, além de cultivares como a Irga 424 RI, que emitem menos metano, tem contribuído para a mitigação das emissões.

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Através da genética, é possível manipular a transferência de metano do solo para a atmosfera

Mara Grohs, pesquisadora do Irga.

Iniciativas para práticas sustentáveis

Iniciativas como o Selo Ambiental e o Pagamento por Serviços Ambientais incentivam a adoção de boas práticas, oferecendo subsídios e indenizações aos produtores. A combinação de melhores práticas de manejo e genética levou a um aumento na produtividade, que passou de quatro para nove toneladas de arroz por hectare desde os anos 2000.

Experiência de um produtor

Fernando Rechsteiner, um orizicultor de Pelotas, pratica rotação de arroz e soja há 40 anos. Ele começou a implementar seu modelo para aprimorar a qualidade do solo e a produtividade, e hoje colhe cerca de 215 sacas, ou mais de 10 toneladas, por hectare, utilizando métodos de plantio direto que ajudaram a reduzir o uso de defensivos químicos.

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