Produtores aguardam impactos climáticos nas colheitas de 2026

O produtor rural Thomas Salomons, em Arapoti, Paraná, está preocupado com a previsão de um El Niño forte nos meses vindouros, que poderá impactar suas lavouras de trigo e cevada. Ele espera que os efeitos se manifestem no momento da colheita, prevista para ocorrer entre outubro e dezembro, exatamente quando o fenômeno climático atinge sua intensidade.
✨ Chuvas na colheita podem prejudicar a qualidade dos grãos, resultando em perdas financeiras.
A preocupação prevalece, já que chuvas excessivas nessa fase podem comprometer a qualidade dos grãos, afetando a remuneração dos produtos nas indústrias de moagem e maltaria, que operam com base em parâmetros de classificação. Na última safra, Salomons alcançou produtividades de 5 mil quilos por hectare para cevada, superior à média estadual de 4,4 mil, enquanto no trigo, ele obteve 4,5 mil quilos, frente aos 3,3 mil quilos da média do estado.
Outro produtor, Marinus Hagen Neto, que cultiva 300 hectares em Arapoti e Jaguariaíva, também compartilha a preocupação relacionada ao El Niño. Ele atualmente cultiva trigo, cevada e aveia para gado de leite, planejando incluir soja e milho no verão. Hagen Neto destaca que a qualidade dos grãos pode ser comprometida por doenças favorecidas pelo clima.
Com a safra anterior de soja estabelecendo recordes de 6 mil quilos por hectare, ele teme que as previsões do fenômeno resultem em quedas produtivas, mas ainda sem perdas drásticas. "Se as chuvas ocorrerem de maneira equilibrada, pode ser benéfico para as culturas de verão," observa.
Enquanto os agricultores analisam as cultivares, as cooperativas também implementam estratégias para minimizar os efeitos do El Niño. Roberto Martins, da Capal Cooperativa Agroindustrial, destaca a importância dos dados climáticos e agrometeorológicos fornecidos pela Fundação ABC. Esses dados são cruciais para que os produtores consigam tomar decisões informadas sobre manejo no campo, onde as janelas para aplicação de defensivos podem ser reduzidas.
✨ Martins alerta que o impacto do clima se estende à logística, podendo dificultar colheitas.
Martins enfatiza que, dado o potencial impacto do El Niño, o acompanhamento agrícola e as orientações técnicas são essenciais. A previsão de um impacto significativo nas classificações dos grãos pode resultar em perdas de até 40% nos preços, além de redução na produtividade esperada, especialmente nos cereais de inverno.
Para soja e milho, a Capal se prepara para maximizar as janelas de plantio, sendo que, em São Paulo, o momento ideal para soja é no final de setembro e em meados de outubro no Paraná. O milho, também, deve ser plantado entre finais de setembro e meados de outubro.
""Em anos de El Niño, a expectativa de safras é que fiquem abaixo da média. É um período complexo e repleto de desafios, onde suporte técnico é vital," conclui Martins.
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