Voltar
agricultura
3 min de leitura

El Niño deve afetar colheitas e produção agrícola no Brasil

Produtores de café, frutas e grãos devem redobrar os cuidados

Tiago Abech18 de maio de 2026 às 15:35
El Niño deve afetar colheitas e produção agrícola no Brasil

O fenômeno climático El Niño está prestes a se intensificar, com previsões de impactos significativos nas colheitas de café, frutas e grãos no Brasil, conforme alerta da meteorologista Desirée Brandt, da Nottus.

A projeção indica que as consequências do El Niño poderão reverberar em todo o ciclo agrícola, afetando tanto as safras de inverno quanto as de verão ao longo de 2026 e 2027. Essa situação levanta um grande alerta para o aumento das perdas de produtividade e os efeitos sobre os preços de alimentos e a economia do país.

Desirée Brandt enfatiza que o aquecimento global terá um papel fundamental na intensificação do El Niño neste ciclo.

Com um aumento de 30% nas chances de um evento forte e 37% de um fenômeno com intensidade muito alta, a meteorologista alerta que os efeitos adversos devem ser ainda mais graves se a força do fenômeno aumentar. As previsões indicam que o primeiro semestre de 2026 será especialmente afetado.

Cenário atual das culturas

As primeiras evidências das alterações climáticas já estão sendo sentidas nas culturas de inverno, como o trigo, milho e café. No Sul do Brasil, por exemplo, a previsão é de chuvas intensificadas nas próximas semanas, embora o acúmulo excessivo de água possa dificultar a colheita do milho segunda safra e impactar a qualidade dos grãos.

Para a cultura do café, os invernos mais quentes diminuem o risco de geadas, mas levantam outros problemas, como a possibilidade de floradas fora de época em Minas Gerais e no Sudeste, o que pode prejudicar o seu potencial produtivo em um ciclo de bienalidade negativa.

Desafios para a Safra de Verão

Os produtores de soja, por sua vez, devem se preparar para um clima irregular, com chuvas acima da média no Centro-Oeste, mas de forma mal distribuída. Isso pode resultar em períodos críticos de seca e calor extremo, desafiando a capacidade de planejamento dos agricultores e aumentando o risco de replantio.

Além disso, os riscos para o milho da segunda safra de 2027 incluem a interrupção das chuvas e o aumento da temperatura durante o desenvolvimento das lavouras, o que pode impactar negativamente a produtividade.

Impactos na fruticultura

A fruticultura na região do Matopiba, que compreende partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, também estará sob risco. Enquanto algumas frutas necessitam de períodos secos para desenvolver açúcar, a combinação de calor excessivo e escassez de chuvas poderá prejudicar essas culturas.

Frutas de clima temperado do Sul do Brasil enfrentam um desafio semelhante. O inverno menos rigoroso pode reduzir as horas de frio necessárias para manter a qualidade e produtividade, enquanto a umidade excessiva pode complicar o manejo e afetar os pomares.

Não perca nenhuma notícia!

Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.

Ao assinar, você concorda com nossa política de privacidade.

Gostou desta notícia? Compartilhe!

Mais de agricultura