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Agronegócio
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Embrapa busca novo modelo financeiro com crescimento nas parcerias privadas

Silvia Massruhá destaca a importância da continuidade dos recursos públicos para a soberania agropecuária.

Gabriel Rodrigues12 de maio de 2026 às 05:20
Embrapa busca novo modelo financeiro com crescimento nas parcerias privadas

A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) está implementando um novo modelo para financiar suas atividades, intensificando a captação de recursos do setor privado. A presidente Silvia Massruhá alerta, no entanto, que a falta de financiamento público pode comprometer a soberania da agropecuária nacional.

Nos últimos anos, as parcerias com empresas privadas cresceram significativamente, dobrando nas iniciativas de 2025, que totalizaram R$ 150 milhões. Esse aumento de 80% em relação aos R$ 85 milhões captados em 2024 demonstra a pressão da Embrapa para diversificar suas fontes de financiamento diante de um cenário fiscal restritivo.

A meta da Embrapa é criar um fundo patrimonial que pode chegar a R$ 1 bilhão, com o apoio de stakeholders como a CNA.

Massruhá comentou a criação do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT), que possibilita à Embrapa captar royalties de tecnologias sem passar pelo Tesouro, priorizando o financiamento de pesquisas. No último ano, a arrecadação do NIT cresceu de R$ 3,7 milhões em 2024 para R$ 12,6 milhões em 2025, com uma meta ambiciosa de chegar a R$ 30 milhões em 2026.

Ela enfatiza a necessidade de não se depender exclusivamente do orçamento público, buscando um modelo sustentável para a empresa. A ideia é que esse fundo funcione como os modelos adotados por universidades nos Estados Unidos, onde apenas os rendimentos são utilizados para financiar projetos de pesquisa.

Entretanto, Massruhá destaca que as parcerias com o setor privado têm limites claros: o investimento privado normalmente se concentra em pesquisas de curta duração, enquanto o Estado é essencial para financiar pesquisa de longo prazo. O apoio do Estado foi crucial para o desenvolvimento de projetos inovadores, como o trabalho da cientista Mariângela Hungria, reconhecida internacionalmente.

Por fim, a presidente reforçou que a Embrapa deve continuar sua trajetória como uma entidade pública, essencial para garantir que pequenos e médios produtores brasileiros tenham acesso à pesquisa que o mercado não financia, sendo isso uma questão de soberania nacional.

Dados Econômicos

Em 2025, o impacto econômico das 200 tecnologias avaliadas pela Embrapa chegou a R$ 124 bilhões, representando 17% do PIB agrícola do Brasil.

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