Voltar
Agronegócio
3 min de leitura

Fertilizantes: produtores enfrentam riscos no abastecimento da soja

Atraso nas compras pode resultar em preços elevados e dificuldades no acesso aos insumos.

Gabriel Rodrigues06 de julho de 2026 às 05:00
Fertilizantes: produtores enfrentam riscos no abastecimento da soja

Produtores que esperam o último momento para adquirir fertilizantes enfrentam riscos significativos, incluindo aumento de preços e problemas de abastecimento, especialmente entre os insumos fosfatados. A comercialização dos fertilizantes para a atual safra de soja está em um capitulo decisivo.

De acordo com Bruno Fonseca, analista de insumos do Rabobank, até junho, as compras para a soja estavam alinhadas com os números do ano anterior, com dois terços da demanda já atendida. No entanto, o último terço da demanda é onde residem os maiores riscos.

O acesso a fertilizantes pode ficar restrito e os preços elevados para os produtores que deixarem as compras para a última hora.

Culturas como milho, café, cana-de-açúcar e citros estão em uma situação relativamente mais favorável, permitindo um acesso mais tranquilo aos fertilizantes. A soja, no entanto, permanece como a cultura mais pressionada neste contexto.

Contexto do mercado

As importações de potássio estão em um nível recorde, enquanto os preços do fósforo permanecem altos, acumulando semanas próximas a US$ 900 por tonelada no porto, o que pressiona as margens dos produtores.

Embora o quadro pareça preocupante, Fonseca acredita que previsões alarmistas sobre o impacto geopolítico do Oriente Médio no consumo de fertilizantes podem ser exageradas. O Rabobank já revisou sua estimativa de entrega de fertilizantes no Brasil, reduzindo-a de 49 milhões para 47 milhões de toneladas.

Com relação ao MAP, as importações estão no nível mais baixo para os primeiros cinco meses de um ano desde 2018, colocando os produtores em uma situação difícil, especialmente os que deixam suas compras para o final do ciclo.

As janelas de monitoramento são críticas: até agosto, o foco é nas importações e aquisições para a soja; a partir de agosto, a atenção muda para o milho safrinha. Neste cenário, uma nova alta de preços é uma possibilidade.

"

O atraso na chegada de volumes importados deve gerar um período de tensão para empresas e produtores. Os que deixam a compra para o fim do ciclo podem enfrentar desafios significativos na aquisição de insumos

Bruno Fonseca

Wharlhey Nunes, do Itaú BBA, sinaliza que a redução na adubação fosfatada deve continuar entre alguns produtores devido à alta dos preços e restrições financeiras. Portanto, o mercado observa atentamente as alterações na disponibilidade e nas preços dos insumos.

Para o milho, a situação é considerada mais preocupante, com a comercialização abaixo da média em várias regiões e a janela para a entrega de fertilizantes cada vez mais curta.

Não perca nenhuma notícia!

Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.

Ao assinar, você concorda com nossa política de privacidade.

Gostou desta notícia? Compartilhe!

Mais de Agronegócio