Indústria de proteção de cultivos enfrenta transformação estrutural
Mudanças no modelo de negócios podem impactar o setor agrícola

O setor de proteção de cultivos está passando por uma transformação significativa, questionando as bases que sustentaram seu desenvolvimento nas últimas décadas. De acordo com Christian Pereira, especialista em agronegócio, a questão não se resume mais a saber se a mudança acontecerá, mas sim quem será capaz de liderá-la.
Por muitos anos, o modelo tradicional do setor foi pautado pela descoberta de moléculas exclusivas, seu registro como patentes e a monetização dessa exclusividade. Essa abordagem permitiu que grandes corporações dominassem o mercado, mas agora enfrenta novos desafios. Dados revelados por Pereira mostram que, entre 1995 e 2019, o custo médio de desenvolvimento de novos ingredientes ativos quase dobrou, e o tempo para comercialização aumentou para, em média, 12,3 anos.
✨ Entre 2009 e 2023, 105 ingredientes ativos perderam exclusividade, criando um ambiente onde cada vez mais custos e menos inovações estão comprometendo o setor.
O futuro próximo presagia um leque mais amplo de opções para os agricultores, potencialmente resultando em preços mais competitivos e maior flexibilidade nas práticas agrícolas. Para as multinacionais, a situação exige uma reavaliação estratégica. Pereira traça um paralelo com a indústria farmacêutica, que teve que repensar sua abordagem vertical para adotar um modelo mais baseado em plataformas escaláveis.
Sobretudo, a China está adquirindo uma posição crucial nesse processo, tendo avançado na produção de ingredientes genéricos através de cadeias de suprimento integradas e de baixo custo. Entretanto, a indústria enfrenta o desafio de lidar com uma capacidade excessiva e margens de lucro estreitas, forçando-a a buscar registros próprios e formulações diferenciadas, além de fortalecer o relacionamento com os agricultores.
Nos anos futuros, a evolução do setor deverá se basear na combinação de química, inteligência artificial e biológicos, além de incentivar a inovação colaborativa. O objetivo não é abandonar a química, mas integrá-la a novas tecnologias e adotar modelos de colaboração mais flexíveis.
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