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Agronegócio
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Mercado de cacau tem alta na oferta, mas moagem estagnada

Crescimento na produção não se reflete na indústria de processamento

Gabriel Rodrigues17 de abril de 2026 às 08:35
Mercado de cacau tem alta na oferta, mas moagem estagnada

O mercado brasileiro de cacau encerrou o primeiro trimestre de 2026 com um aumento significativo na disponibilidade do produto, embora o processamento industrial não tenha acompanhado este crescimento, gerando um desalinhamento na cadeia produtiva.

Crescimento na oferta e estagnação na moagem

Relatórios da Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC) indicam que, durante os três primeiros meses do ano, o recebimento de amêndoas alcançou 28,6 mil toneladas, o que representa um aumento de 61,1% em comparação ao mesmo período de 2025. Entretanto, este volume é 52,1% menor do que o registrado no último trimestre do ano passado, o que é considerado um fenômeno sazonal devido à entressafra.

A produção de cacau continua concentrada em regiões específicas, com a Bahia liderando com aproximadamente 16,2 mil toneladas. O Pará, por sua vez, teve um crescimento marcante de quase 170% em relação ao ano anterior, destacando-se como uma área promissora para a expansão da cacauicultura, enquanto outras regiões, como o Espírito Santo e Rondônia, mantêm participação minoritária.

Moagem de cacau permanece estagnada em 51,7 mil toneladas, refletindo desafios na demanda e competitividade.

Apesar da maior oferta, a indústria manteve a moagem estável em 51,7 mil toneladas, comparable ao ano anterior, revelando um gargalo estrutural: a produção crescente não está sendo convertida em maior atividade industrial. A falta de demanda efetiva para o processamento está limitando o desenvolvimento do setor.

Contexto do setor

As importações caíram para 18 mil toneladas de amêndoas, uma diminuição de 37,5% em relação ao ano passado. Além disso, as exportações entre janeiro e março totalizaram 12,5 mil toneladas, 15,4% a menos do que no mesmo período anterior, com a Argentina sendo o principal destinatário.

Ana Paula Losi, presidente-executiva da AIPC, alerta que, apesar do aumento na oferta de cacau no Brasil, a indústria ainda não reagiu em termos de moagem e comercialização. Isso demonstra que os principais obstáculos estão relacionados à demanda interna e à competitividade nos mercados internacionais.

Esse panorama gera preocupações para o setor, que precisa encontrar um equilíbrio entre a produção, a capacidade de processamento e o mercado consumidor. Sem um aumento na demanda, seja local ou por meio de exportações, existe o risco de pressões nos preços e de desvalorização para os produtores.

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