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Agronegócio
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Medicamentos para diabetes impactam consumo de alimentos no Brasil

Mudança nos hábitos alimentares abre oportunidades no agronegócio

Mariana Souza06 de junho de 2026 às 07:55
Medicamentos para diabetes impactam consumo de alimentos no Brasil

Medicamentos conhecidos como "canetas emagrecedoras", utilizados no tratamento do diabetes tipo 2, estão transformando os hábitos alimentares dos consumidores e gerando novas oportunidades para o agronegócio. De acordo com um estudo da Cogo Inteligência em Agronegócio, o uso crescente de agonistas de GLP-1, como semaglutida e tirzepatida, tem levado a uma reestruturação nos padrões de consumo.

Nos EUA, mais de 18 milhões de pessoas utilizaram esses medicamentos em 2024, com previsões de crescimento de até 80% nas vendas até 2030.

O relatório indica que a quebra de patentes em 2026 deve facilitar o acesso e diminuir os preços, com estimativas apontando que 100 milhões de unidades desses fármacos poderão ser consumidas globalmente até 2030. Os usuários relatam que se sentem mais saciados, resultando em uma redução no consumo de alimentos calóricos e uma preferência por opções mais saudáveis.

Mudança nos hábitos alimentares

A pesquisa mostra que 56% dos consumidores que começaram o tratamento mudaram seus hábitos alimentares para mais saudáveis. Essa mudança promove a ascensão das chamadas smart foods, que são alimentos formulados especialmente para maximizar a saciedade e a densidade nutricional para os usuários de GLP-1.

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Os benefícios gerados pela transição para dietas mais proteicas superam os riscos da redução de calorias, especialmente para produtores e empresas do setor de proteína animal.

Carlos Cogo, sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio.

Esse fenômeno está elevando a demanda por ingredientes proteicos derivados da soja, como isolados e farinhas, e favorecendo a produção de aves com alimentação de alta qualidade. Produtos como milho e farelos de soja também devem ver um aumento no consumo, enquanto itens ligados a carboidratos, como trigo e arroz, podem sofrer perdas.

O frango é a proteína que mais se beneficia dessa mudança, por ser associado a uma alimentação saudável e ter uma cadeia produtiva robusta no Brasil.

Oportunidades no agronegócio

O Brasil, maior exportador de proteínas do mundo, possui uma infraestrutura sólida para atender à crescente demanda global, principalmente na América do Norte e Europa, com potencial de expansão para o Sudeste Asiático e Oriente Médio.

Apesar da expectativa de menor consumo calórico, o estudo não prevê uma diminuição no valor do mercado agropecuário. Pelo contrário, a mudança de foco para produtos de maior valor agregado, como proteínas e alimentos nutritivos, pode resultar em um cenário econômico mais vantajoso para o setor. A migração do consumo de grãos básicos para proteínas, como frango, tilápia e carne bovina, reflete essa nova realidade.

O aumento na exportação de proteínas traz um valor agregado significativamente maior em comparação às commodities agrícolas tradicionais, como cereais.

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