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Agronegócio
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Mercados agrícolas globais em alta devido a tensões geopolíticas

Cenário de incerteza impacta preços e decisões agrícolas mundialmente

Ricardo Alves30 de abril de 2026 às 14:15
Mercados agrícolas globais em alta devido a tensões geopolíticas

Os mercados agrícolas em todo o mundo estão passando por uma recente valorização, influenciada por variáveis climáticas, geopolíticas e custos de produção. Esse cenário gera um ambiente de incertezas, refletindo-se diretamente nos preços e nas decisões tomadas por produtores rurais.

Conforme análise do Rabobank, o índice S&P GSCI Agriculture Settlement subiu 3,3% até 28 de abril, alcançando seu patamar mais elevado em quase um ano. Esse aumento coincide com a intensificação das tensões no Oriente Médio, particularmente no Estreito de Hormuz e nas negociações entre Estados Unidos e Irã, elevando os preços do petróleo.

Atualmente, o contrato do petróleo Brent é negociado próximo de US$ 115 por barril, o que está pressionando os custos em toda a cadeia de produção agrícola. No que diz respeito ao mercado de grãos, a diminuição de hidratação em áreas produtoras de trigo de inverno nos Estados Unidos e a deterioração nas condições das plantações resultaram em um aumento nos contratos futuros de trigo em Kansas, os mais altos desde meados de 2024.

Enquanto isso, a alta nos preços dos fertilizantes continua sustentando os valores de grãos e oleaginosas, criando incertezas sobre a semeadura da safra de primavera nos Estados Unidos. Em contrapartida, a ureia granular no Golfo dos EUA teve uma queda recente de quase US$ 60 por tonelada na semana que termina em 29 de abril, marcando uma redução após nove semanas de altas.

Apesar da queda na ureia, o insumo acumula um aumento de cerca de US$ 300 por tonelada desde dezembro de 2025, indicando uma pressão contínua sobre os custos de produção.

O preço do diesel também se mantém elevado, o que prejudica as margens de lucro no setor agrícola. Em relação às questões climáticas, uma atualização da NOAA sugere que o fenômeno El Niño pode se formar entre maio e julho, com potencial para um evento mais intenso até o fim de 2026. Essas condições elevam os riscos para a produção em diversas regiões do globo.

Segundo o Rabobank, a soma de todos esses fatores mantém o mercado agrícola sob tensão, resultando em prêmios de risco altos e uma volatilidade acentuada nas próximas semanas, influenciada tanto por eventos climáticos quanto por desdobramentos geopolíticos.

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