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Agronegócio
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Minas Gerais registra PIB do agronegócio recorde em 2025

Setor responde por 24,1% da economia do estado, afirma Sistema Faemg Senar

Gabriel Rodrigues03 de julho de 2026 às 14:15
Minas Gerais registra PIB do agronegócio recorde em 2025

O Produto Interno Bruto do agronegócio de Minas Gerais atingiu R$ 279 bilhões em 2025, marcando o maior valor já registrado na série histórica e representando 24,1% da economia do estado. A divulgação dos dados ocorreu nesta quinta-feira (3) em uma coletiva de imprensa organizada pelo Sistema Faemg Senar, em Belo Horizonte, com a participação de representantes da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, da Fundação João Pinheiro e da Associação Mineira da Indústria Florestal.

Antônio de Salvo, presidente do Sistema Faemg Senar, atribuiu esse resultado ao empenho dos produtores rurais e aos avanços tecnológicos no setor. "Para que continuemos a progredir, é essencial que as futuras administrações mantenham o diálogo com o setor, respeitem os produtores e garantam as condições necessárias para o crescimento do agronegócio", afirmou.

O setor agropecuário teve um crescimento nominal de 17,7%, impulsionado principalmente pela valorização dos produtos.

O secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, Thales Fernandes, anotou que o crescimento de aproximadamente 16 pontos percentuais deve-se à valorização de produtos agropecuários, que superou também o crescimento da economia estadual, que foi de 1,4%. Além disso, os dados indicam que Minas Gerais ampliou sua participação nas exportações, alcançando mais de 165 países, e obteve novos recordes nesse setor.

O estudo revelou ainda que mais de 60% dos municípios de Minas Gerais têm na agropecuária e na silvicultura suas principais atividades econômicas, reiterando a relevância do setor na geração de empregos e desenvolvimento econômico regional.

A atualização da matriz de insumo-produto mostrou que a participação da produção primária dentro do complexo agroindustrial subiu de 12,7% para 22,5%, indicando uma mudança significativa na estrutura econômica do agronegócio.

Raimundo Leal, pesquisador da Fundação João Pinheiro, destacou que o setor manteve um desempenho positivo ao longo dos últimos anos, refletindo melhorias nos termos de troca e marcando um período histórico para o agronegócio mineiro.

O café foi o protagonista do crescimento do agronegócio em 2025, apresentando um aumento médio de 65,8% em relação ao ano anterior. O milho, o suíno, o tomate e o boi gordo também contribuíram para este desempenho positivo. No que diz respeito à produção, a soja teve um aumento considerável, passando de 7,7 milhões para 9,2 milhões de toneladas, e a produção de milho cresceu de 6,6 milhões para 7,1 milhões de toneladas.

O fortalecimento da cadeia produtiva, envolvendo agroindústria, transporte, armazenagem, comércio e serviços financeiros, foi fundamental para ampliar a presença do agronegócio na economia mineira.

Apesar dos resultados positivos, o Sistema Faemg Senar manifestou preocupação em relação ao Plano Safra 2026/2027. Antônio de Salvo apontou que os recursos anunciados não atendem às necessidades do setor. "O Brasil precisa de aproximadamente R$ 1,3 trilhão para financiar uma safra, mas o governo anunciou apenas R$ 525 bilhões, e nem todos esses valores chegaram efetivamente aos bancos".

Ele também alertou sobre o aumento dos custos de crédito rural e a diminuição de recursos para seguros: "Os produtores estão cada vez mais expostos a riscos climáticos e necessitam de proteção. Sem seguros, o crédito se torna mais caro e a insegurança para produzir aumenta".

Na visão de Salvo, a combinação de crédito mais caro, menos recursos subsidiados e dificuldades na obtenção de financiamentos pode afetar o próximo ciclo agrícola, uma vez que muitos produtores já estão endividados. "Sem financiamento adequado e seguros rurais, a próxima safra enfrenta sérios riscos", concluiu.

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