Modelo da Embrapa pode inspirar inovação agrícola global
Jacob Moscona discute impacto da pesquisa em agricultura no Brasil

O modelo de pesquisa agrícola da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) é um exemplo reconhecido e admirado globalmente, segundo Jacob Moscona, doutor em economia e professor do MIT. Ele acredita que a abordagem da Embrapa pode servir como inspiração não apenas para países com condições semelhantes ao Brasil, mas também para nações como a China, que está implementando iniciativas semelhantes.
Moscona se encontra no Brasil para participar da 1ª Conferência Internacional da Rede de Pesquisa em Produtividade & Sustentabilidade (Rede PP&S), acontecimento que ocorre no Insper, em São Paulo. Durante o evento, ele irá apresentar seu artigo intitulado "Pesquisa e desenvolvimento públicos e o desenvolvimento econômico: a Embrapa e a revolução agrícola do Brasil", que foi escrito em parceria com outros pesquisadores.
✨ O estudo revelou que os investimentos públicos na Embrapa resultaram em um aumento de 110% na produtividade agrícola do Brasil, com um retorno significativo de US$ 17 para cada US$ 1 investido.
Desafiando a noção comum de que países em desenvolvimento não teriam retornos satisfatórios em pesquisa agrícola, Moscona destacou que a Embrapa obteve sucesso em inovações atendendo áreas ainda não exploradas por outros países, como os EUA e a Europa. Ele citou a similaridade entre a estrutura de pesquisa da Embrapa e o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), ressaltando que ambos possuem um número significativo de doutores envolvidos em projetos de pesquisa.
Moscona também mencionou a experiência da China, que adotou um modelo de pesquisa agrícola similar ao da Embrapa, enviando cientistas para colaborar com agricultores. Ele acredita que essa abordagem pode ser benéfica para diversas nações, incluindo aquelas na África, onde a transferência de tecnologias da Embrapa poderia otimizar resultados agrícolas.
Contexto
Com cortes recentes no orçamento da Embrapa, Moscona alerta sobre os riscos que essa redução traz para a pesquisa e desenvolvimento no setor agrícola, enfatizando a necessidade de manter investimentos para enfrentar novos desafios, como as mudanças climáticas.
Apesar de reconhecer os sucessos da Embrapa, Moscona argumenta que a instituição precisa evoluir para se manter relevante. Ele defendeu que o foco deve seguir nas inovações que o setor privado não aborda e a importância de conservar a descentralização que caracteriza a Embrapa.
O professor afirmou que continuará sua pesquisa sobre o Brasil, com foco em inovações e colaborações entre setores público e privado, além de seus estudos sobre questões como mudanças climáticas e desmatamento.
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