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Agronegócio
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Monitoramento remoto gera bloqueios de crédito a produtores rurais

Problemas no uso de tecnologia afetam a defesa dos agricultores

Fernanda Lima28 de maio de 2026 às 19:30
Monitoramento remoto gera bloqueios de crédito a produtores rurais

A fiscalização ambiental no Brasil está sendo transformada pela evolução do monitoramento remoto, mas essa prática traz consigo um desafio: agricultores estão sendo impedidos de acessar crédito e embargados antes de terem oportunidade de se defender.

Esses bloqueios ocorrem frequentemente com base em imagens de satélite, gerando um debate acirrado após a aprovação do Projeto de Lei 2.564/2025 e mudanças nas exigências do PRODES pelo Conselho Monetário Nacional.

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Trata-se de uma reação legítima contra o que podemos chamar de 'a revolta dos fiscais de tela'

José de Moraes Neto, advogado especialista em direito ambiental.

Segundo Moraes Neto, o cerne do problema não reside na tecnologia, mas sim em seu uso inadequado, o que compromete princípios fundamentais como o direito ao devido processo legal e à ampla defesa.

O PRODES, originalmente desenvolvido para mapear a Amazônia, falha em reconhecer as variações de vegetação em outras regiões, como o Cerrado.

Este sistema de monitoramento não consegue diferenciar entre a vegetação nativa em períodos diferentes e o desmatamento ilegal, levando a alertas incorretos que podem atingir propriedades legítimas.

Contexto

O monitoramento satelital captura informações sobre a vegetação, mas não tem acesso a documentos legais, como as autorizações de supressão de vegetação, que os produtores possuem junto aos órgãos ambientais.

Como resultado, muitos produtores se veem inocentados depois de já terem sido considerados culpados devido à falta de notificação prévia, o que prejudica sua capacidade de sobrevivência financeira e produção agrícola.

Moraes Neto defende que a solução não é abolir o monitoramento remoto, mas sim reformulá-lo, propondo que ele sirva como uma ferramenta de inteligência para determinar onde a fiscalização deve intervir, sem substituir a necessária análise presencial e individualizada.

Ele alerta que penalidades irrazoáveis e baseadas em dados imprecisos podem levar a um aumento de litígios, resultando em impunidade para infratores e prejuízos para agricultores que atuam dentro da legalidade.

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