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Agronegócio
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Plano Safra 2026/2027 revela desafios para financiamento rural

A nova edição apresenta aumento nominal, mas queda no poder real de compra.

Gabriel Rodrigues08 de julho de 2026 às 09:15
Plano Safra 2026/2027 revela desafios para financiamento rural

O Plano Safra 2026/2027 foi oficialmente anunciado com um volume total de R$ 525,1 bilhões, marcando um aumento de 1,7% em relação à safra 2025/2026. No entanto, a análise de Antonio Prado G. B. Neto, consultor do agronegócio, revela que esse crescimento nominal não reflete uma melhoria real, pois não acompanha a inflação e o aumento dos custos de produção.

De acordo com o levantamento, o poder de financiamento real apresenta estagnação, o que coloca o governo em uma posição desafiadora, pois será necessário investir mais recursos para subsidiar uma quantidade menor de crédito. A equalização do Tesouro na agricultura empresarial aumentou de R$ 3,94 bilhões para R$ 5,56 bilhões, um crescimento de 41%. No entanto, os recursos efetivamente equalizados caíram de R$ 113,8 bilhões para R$ 97 bilhões, resultando em uma redução de 14,8%.

As taxas de juros permanecem elevadas, com a maioria das linhas entre 11,5% e 12,5% ao ano.

Embora algumas taxas tenham diminuído, a promessa de juros inferiores a 10% não se tornou uma realidade predominante. Olhando para antigas linhas de financiamento, há uma significativa perda de recursos, especialmente para programas que apoiam produtividade, armazenamento, inovação e irrigação, com reduções notáveis em iniciativas como Moderfrota e Proirriga.

O aumento no volume global de investimentos deve-se, em grande parte, à introdução de novos programas, como Move Agricultura, com R$ 10 bilhões, e EcoInvest Brasil, com R$ 28,5 bilhões. Sem esses novos programas, os investimentos tradicionais teriam experimentado uma diminuição expressiva.

Impactos e Desafios

O documento também relata que o montante anunciado não garante a liberação efetiva de créditos devido a exigências bancárias e a possibilidade de que os recursos não sejam totalmente utilizados. A prioridade para irrigação e armazenamento parece ter diminuído, eventuais riscos climáticos e a falta de infraestrutura de estocagem tornam essa questão ainda mais relevante.

Por fim, a previsão é de que o crédito privado ganhará maior relevância, com instrumentos como CPR, LCA, CRA e cooperativas desempenhando papéis mais significativos, beneficiando principalmente grandes produtores, enquanto os médios continuam dependendo fortemente do crédito oficial.

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