Produção de trigo no Brasil deve cair para 6,3 milhões de toneladas
Queda na produção é impactada por incertezas climáticas e custos de fertilizantes

A produção brasileira de trigo para esta safra foi estimada em 6,3 milhões de toneladas, uma queda de 19% em comparação ao ciclo anterior, conforme revelado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Esse retrocesso se deve, em parte, à redução de 12,5% na área cultivada. Felippe Serigati, economista da FGV Agro, aponta para incertezas climáticas e o aumento dos custos de insumos, notadamente fertilizantes, como fatores determinantes.
✨ A safra de inverno é particularmente vulnerável a choques de custo, o que pode impactar tanto na área plantada quanto na produtividade.
Embora a expectativa seja de menor produção, Rubens Barbosa, presidente da Abitrigo, acredita que o impacto no abastecimento interno será moderado, visto que o Brasil pode compensar a demanda com importações.
"Não temos problemas de abastecimento. Se a produção cair, importamos. O mercado internacional tem trigo disponível, então não é uma preocupação.
No entanto, a crescente pressão nos custos de importação é uma preocupação legítima. A recente voltada tributação sobre o trigo importado, aliada ao aumento dos preços do petróleo e dos serviços de transporte, aumentou os custos para os moinhos.
Contexto de Importação
A alteração na Lei Complementar nº 224/2025 resultou na reintrodução de taxas como PIS e Cofins sobre trigo importado, elevando os custos para a indústria.
Além disso, a qualidade do trigo argentino, tradicional fornecedor do Brasil, também tem sido uma ressalva. A necessidade de diversificação de fornecedores, como Estados Unidos e Canadá, traz novos desafios.
A indústria já se adapta a esse aumento de custos, embora esteja buscando maneiras de evitar que isso seja transferido ao consumidor final. Contudo, a elevação dos preços na produção de farinha é uma preocupação iminente.
A redução na oferta pode impactar o preço de produtos como pães e massas, mas Serigati destaca que essa dinâmica não depende apenas da safra nacional, pois fatores externos como os custos de combustível e a formação de preços no mercado internacional também influenciam.
✨ O clima e as condições internacionais apontam para um cenário mais desafiador, fazendo com que os preços de alimentos possam ser pressionados mesmo antes da colheita.
Conforme o que aponta a Conab, espera-se uma queda na produção de 18,9% nesta safra, resultando na estimativa de 6,3 milhões de toneladas, com uma área plantada prevista de 2,1 milhões de hectares.
O segundo semestre indica a possibilidade do fenômeno El Niño, que pode trazer chuvas em momentos desfavoráveis, afetando a produtividade.
Atualmente, a semeadura já avançou cerca de 17%, com as áreas mais adiantadas localizadas na região central do Brasil, e algumas lavouras em Goiás já entram em fase de floração.
Leia Também
Não perca nenhuma notícia!
Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.
Gostou desta notícia? Compartilhe!
Mais de Agronegócio

Medicamentos para diabetes impactam consumo de alimentos no Brasil
Mudança nos hábitos alimentares abre oportunidades no agronegócio

Rio Grande do Sul deverá reduzir área plantada com trigo
Expectativa de queda significativa afetará a renda rural

Mercados agrícolas globais em alta devido a tensões geopolíticas
Cenário de incerteza impacta preços e decisões agrícolas mundialmente

SIAVS 2026 destaca nutrição animal como tema central
Evento em São Paulo promete reunir inovação e negócios no setor





