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Agronegócio
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Produção de trigo no Brasil deve cair para 6,3 milhões de toneladas

Queda na produção é impactada por incertezas climáticas e custos de fertilizantes

Gabriel Rodrigues14 de maio de 2026 às 10:40
Produção de trigo no Brasil deve cair para 6,3 milhões de toneladas

A produção brasileira de trigo para esta safra foi estimada em 6,3 milhões de toneladas, uma queda de 19% em comparação ao ciclo anterior, conforme revelado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Esse retrocesso se deve, em parte, à redução de 12,5% na área cultivada. Felippe Serigati, economista da FGV Agro, aponta para incertezas climáticas e o aumento dos custos de insumos, notadamente fertilizantes, como fatores determinantes.

A safra de inverno é particularmente vulnerável a choques de custo, o que pode impactar tanto na área plantada quanto na produtividade.

Embora a expectativa seja de menor produção, Rubens Barbosa, presidente da Abitrigo, acredita que o impacto no abastecimento interno será moderado, visto que o Brasil pode compensar a demanda com importações.

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Não temos problemas de abastecimento. Se a produção cair, importamos. O mercado internacional tem trigo disponível, então não é uma preocupação.

No entanto, a crescente pressão nos custos de importação é uma preocupação legítima. A recente voltada tributação sobre o trigo importado, aliada ao aumento dos preços do petróleo e dos serviços de transporte, aumentou os custos para os moinhos.

Contexto de Importação

A alteração na Lei Complementar nº 224/2025 resultou na reintrodução de taxas como PIS e Cofins sobre trigo importado, elevando os custos para a indústria.

Além disso, a qualidade do trigo argentino, tradicional fornecedor do Brasil, também tem sido uma ressalva. A necessidade de diversificação de fornecedores, como Estados Unidos e Canadá, traz novos desafios.

A indústria já se adapta a esse aumento de custos, embora esteja buscando maneiras de evitar que isso seja transferido ao consumidor final. Contudo, a elevação dos preços na produção de farinha é uma preocupação iminente.

A redução na oferta pode impactar o preço de produtos como pães e massas, mas Serigati destaca que essa dinâmica não depende apenas da safra nacional, pois fatores externos como os custos de combustível e a formação de preços no mercado internacional também influenciam.

O clima e as condições internacionais apontam para um cenário mais desafiador, fazendo com que os preços de alimentos possam ser pressionados mesmo antes da colheita.

Conforme o que aponta a Conab, espera-se uma queda na produção de 18,9% nesta safra, resultando na estimativa de 6,3 milhões de toneladas, com uma área plantada prevista de 2,1 milhões de hectares.

O segundo semestre indica a possibilidade do fenômeno El Niño, que pode trazer chuvas em momentos desfavoráveis, afetando a produtividade.

Atualmente, a semeadura já avançou cerca de 17%, com as áreas mais adiantadas localizadas na região central do Brasil, e algumas lavouras em Goiás já entram em fase de floração.

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