Produção de uvas no Brasil movimenta R$ 8,3 bilhões e demanda integração
Levantamento destaca desafios e oportunidades na vitivinicultura nacional

A produção de uvas no Brasil, tanto para consumo direto quanto para industrialização, ocupa uma área de 84,4 mil hectares, gerando anualmente 1,82 milhão de toneladas e movimentando cerca de R$ 8,3 bilhões. Apesar da ampla diversidade geográfica e de modelos de negócios, o setor carece de uma melhor integração ao longo da cadeia produtiva, conforme revela o estudo ‘‘Brasil Vitivinícola: Panorama Estratégico e Mapeamento da Cadeia de Valor da Vitivinicultura Brasileira’’, com lançamento previsto para esta quarta-feira (13) na Wine South America, em Bento Gonçalves (RS).
✨ O estudo destaca que, enquanto o Nordeste concentra 47,73% da produção, o Sul é responsável por 42,05%.
Segundo Paulo Henrique Leme, professor da Universidade Federal de Lavras (UFLA) e consultor especializado, a vitivinicultura brasileira não opera de maneira linear, mas apresenta um mosaico de estruturas segmentadas. Cada região demanda soluções específicas para suas condições e características. No Nordeste, a produção é majoritariamente de uvas para consumo fresco, principalmente no Vale do São Francisco, que representa 95% daquela região. Por outro lado, o Sul se destaca na produção para processos industriais, como sucos e vinhos.
Desafios das Regiões Produtoras
O levantamento aponta que o Sul do Brasil, que representa 42,05% da produção total e possui 47,56% dos registros de estabelecimentos, é o principal polo de produção vitivinícola. Entre as dificuldades enfrentadas estão a formalização dos estabelecimentos e o acesso a mercados internacionais, especialmente para o Nordeste. Essa região, apesar de ser robusta em produção, possui apenas 8,66% do total de registros formais no Sipeagro-Vinhos e Bebidas.
✨ A vitivinicultura de inverno, que abrange partes do Sudeste e Centro-Oeste, já responde por 10,22% da produção nacional.
Além disso, o estudo revela diferentes modelos de produção: o tradicional no Sul, a vitivinicultura tropical irrigada no Nordeste e a vitivinicultura de inverno em expansão. Essas variações refletem nas estratégias de cultivo e nos tipos de produtos oferecidos, desde vinhos finos até sucos e espumantes. O Rio Grande do Sul é destacado como líder na maturidade da cadeia, com base histórica e articulações institucionais consolidadas.
"O setor vitivinícola está vivendo um momento de crescimento, mas precisa se preparar para a concorrência com vinhos importados da Europa
O professor Leme enfatiza a importância da aproximação ao consumidor, destacando a necessidade de vendas diretas e investimentos em enoturismo como formas de agregar valor ao produto. Desafios como a distribuição de riqueza e a integração entre produtores, indústria e consumo também são abordados no estudo.
Oportunidades e Desafios
O relatório, desenvolvido pela Planorural em parceria com o Consevitis-RS e o Sebrae Nacional, demorou 15 meses para ser concluído e abrangeu mais de 800 projetos vitivinícolas.
Luciano Rebellatto, presidente do Consevitis-RS, afirma que o estudo serve como um guia para identificar desafios e oportunidades na cadeia produtiva. Para Bruno Quick, diretor técnico do Sebrae Nacional, o mapeamento é crucial para elaborar um plano de ações focado e integrado, essencial para o futuro do setor vitivinícola.
Leia Também
Não perca nenhuma notícia!
Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.
Gostou desta notícia? Compartilhe!
Mais de Agronegócio

Preço do óleo de soja cai no Paraná no início de 2026
Novos dados apontam redução nos preços para consumidores paranaenses

Conflitos no Oriente Médio afetam custos de insumos agrícolas
Aumentos nos preços de fertilizantes impactam a produção global

Mosaic alerta sobre escassez de fornecedores de fosfato
Conflitos internacionais geram incertezas na oferta de fertilizantes.

Minas Gerais registra aumento significativo na produção de grãos
Estado avança e passa a responder por 6% da produção nacional





