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Agronegócio
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Produção de uvas no Brasil movimenta R$ 8,3 bilhões e demanda integração

Levantamento destaca desafios e oportunidades na vitivinicultura nacional

Tiago Abech13 de maio de 2026 às 13:55
Produção de uvas no Brasil movimenta R$ 8,3 bilhões e demanda integração

A produção de uvas no Brasil, tanto para consumo direto quanto para industrialização, ocupa uma área de 84,4 mil hectares, gerando anualmente 1,82 milhão de toneladas e movimentando cerca de R$ 8,3 bilhões. Apesar da ampla diversidade geográfica e de modelos de negócios, o setor carece de uma melhor integração ao longo da cadeia produtiva, conforme revela o estudo ‘‘Brasil Vitivinícola: Panorama Estratégico e Mapeamento da Cadeia de Valor da Vitivinicultura Brasileira’’, com lançamento previsto para esta quarta-feira (13) na Wine South America, em Bento Gonçalves (RS).

O estudo destaca que, enquanto o Nordeste concentra 47,73% da produção, o Sul é responsável por 42,05%.

Segundo Paulo Henrique Leme, professor da Universidade Federal de Lavras (UFLA) e consultor especializado, a vitivinicultura brasileira não opera de maneira linear, mas apresenta um mosaico de estruturas segmentadas. Cada região demanda soluções específicas para suas condições e características. No Nordeste, a produção é majoritariamente de uvas para consumo fresco, principalmente no Vale do São Francisco, que representa 95% daquela região. Por outro lado, o Sul se destaca na produção para processos industriais, como sucos e vinhos.

Desafios das Regiões Produtoras

O levantamento aponta que o Sul do Brasil, que representa 42,05% da produção total e possui 47,56% dos registros de estabelecimentos, é o principal polo de produção vitivinícola. Entre as dificuldades enfrentadas estão a formalização dos estabelecimentos e o acesso a mercados internacionais, especialmente para o Nordeste. Essa região, apesar de ser robusta em produção, possui apenas 8,66% do total de registros formais no Sipeagro-Vinhos e Bebidas.

A vitivinicultura de inverno, que abrange partes do Sudeste e Centro-Oeste, já responde por 10,22% da produção nacional.

Além disso, o estudo revela diferentes modelos de produção: o tradicional no Sul, a vitivinicultura tropical irrigada no Nordeste e a vitivinicultura de inverno em expansão. Essas variações refletem nas estratégias de cultivo e nos tipos de produtos oferecidos, desde vinhos finos até sucos e espumantes. O Rio Grande do Sul é destacado como líder na maturidade da cadeia, com base histórica e articulações institucionais consolidadas.

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O setor vitivinícola está vivendo um momento de crescimento, mas precisa se preparar para a concorrência com vinhos importados da Europa

Paulo Henrique Leme

O professor Leme enfatiza a importância da aproximação ao consumidor, destacando a necessidade de vendas diretas e investimentos em enoturismo como formas de agregar valor ao produto. Desafios como a distribuição de riqueza e a integração entre produtores, indústria e consumo também são abordados no estudo.

Oportunidades e Desafios

O relatório, desenvolvido pela Planorural em parceria com o Consevitis-RS e o Sebrae Nacional, demorou 15 meses para ser concluído e abrangeu mais de 800 projetos vitivinícolas.

Luciano Rebellatto, presidente do Consevitis-RS, afirma que o estudo serve como um guia para identificar desafios e oportunidades na cadeia produtiva. Para Bruno Quick, diretor técnico do Sebrae Nacional, o mapeamento é crucial para elaborar um plano de ações focado e integrado, essencial para o futuro do setor vitivinícola.

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