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Agronegócio
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Pronaf deve focar em agricultores subindo de nível, defende consultor

João Luiz Guadagnin critica gastos excessivos em políticas assistenciais

Gabriel Rodrigues13 de julho de 2026 às 05:10
Pronaf deve focar em agricultores subindo de nível, defende consultor

O consultor em crédito e ex-diretor do Ministério do Desenvolvimento Agrário, João Luiz Guadagnin, afirma que o programa Pronaf visa essencialmente promover o crescimento dos agricultores familiares, aumentando suas rendas e diminuindo sua dependência de políticas assistenciais do governo.

Em sua análise, Guadagnin considera elevado o gasto do governo com essas políticas e defende que elas devem ser prioritárias para aqueles que realmente precisam. "Essa é uma política pública cara para a sociedade e deve ser destinada aos que estão em maior vulnerabilidade", explica.

A saída de produtores do Pronaf é um sinal positivo de sucesso da política, enfatiza Guadagnin.

"O importante é verificar quantos agricultores migraram para o Pronamp, evitando que permaneçam sob tutela do MDA", destaca. Ele compara essa evolução ao Bolsa Família, afirmando que o ideal é que os beneficiários avancem em suas condições financeiras.

Guadagnin também ressalta a implementação de diferentes faixas dentro do Pronaf, que visam atender agricultores familiares com base em seus faturamentos, proporcionando condições mais benéficas para aqueles que ganham menos. Por exemplo, assentados da reforma agrária, indígenas, quilombolas e famílias de baixa renda podem acessar créditos com juros entre 0,5% e 1,5% ao ano.

Por outro lado, o consultor aponta que o aumento dos juros é uma realidade, pois os agricultores que precisam de mais crédito acabam pagando mais. "Existem muitos agricultores que progridem, mas permanecem no Pronaf a custos elevados e isso precisa ser discutido", ressalta Guadagnin.

Ele também questiona a adequação da renda de enquadramento de R$ 500 mil por ano, afirmando que isso já posiciona os agricultores na classe média brasileira. "Quem tem esse faturamento, gerando uma renda líquida de R$ 150 mil, precisa ainda dessa assistência? A maioria da sociedade urbana não conta com esses benefícios", pondera.

Guadagnin sugere que, se houvesse um esforço para cortar gastos com a subvenção econômica do crédito e o Proagro, seria benéfico redirecionar esses recursos para ampliá-los serviços de assistência técnica e extensão rural, o que, segundo ele, resultaria em uma melhor aplicação dos recursos públicos e um aumento no número de agricultores que poderiam evoluir da base familiar para a agricultura de médio e grande porte.

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