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Agronegócio
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Queda da Selic pode baratear Plano Safra 2026/27

Ministra Fernanda Machiaveli analisa impactos nas finanças agrícolas

Gabriel Rodrigues07 de abril de 2026 às 05:10
Queda da Selic pode baratear Plano Safra 2026/27

A trajetória de queda da taxa Selic pode tornar o Plano Safra 2026/27 mais econômico para o governo e facilitar o acesso ao crédito para a agricultura familiar, de acordo com a ministra do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiaveli. A expectativa é que isso alivie a pressão fiscal nas linhas de crédito com subvenção federal a partir de julho.

Machiaveli acredita que será possível manter as taxas de juros do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e expandir o volume de recursos para atender cerca de 500 mil produtores que estão recuperando sua capacidade de financiamento após acertar dívidas no programa Desenrola Rural do ano passado.

Na safra 2025/26, os juros variaram de 2% a 6%, com algumas linhas chegando a 8%.

Até março, mais de R$ 50,1 bilhões já foram disponibilizados para agricultores familiares. A ministra ressalta que manter as taxas de juros acessíveis é fundamental para garantir a estabilidade na produção de alimentos e evitar flutuações nos preços.

Desafios e expectativas do novo Plano Safra

O cenário atual mostra uma Selic em 14,75%, prevista para cair a 12,5%. O custo da equalização financeira do Pronaf neste ciclo é estimado em R$ 9,5 bilhões. O orçamento para subvenção em 2026 foi reduzido para R$ 8,3 bilhões, destinado a contratos antigos e novos financiamentos do ano.

Machiaveli também destacou que as diretrizes do Plano Safra estão bem definidas, mas reconhece a necessidade de solucionar algumas barreiras de acesso ao crédito, como a falta de garantias nas operações. A inclusão de fundos garantidores deve facilitar a obtenção de recursos, especialmente no Nordeste.

"

Agora, as medidas são cada vez mais cosméticas. Queremos superar as barreiras do acesso

Fernanda Machiaveli

O novo Plano Safra 2026/27 já prevê um aporte de R$ 500 milhões no Fundo Garantidor de Operações (FGO) para o Pronaf, com a possibilidade de incluir atividades de agroecologia e atender comunidades indígenas.

Embora a inadimplência entre os agricultores do Pronaf seja baixa, com mais de R$ 23 bilhões renegociados no Desenrola Rural, o governo reabrirá o prazo do programa para incluir dívidas mais antigas, promovendo maior acesso ao crédito para os agricultores familiares.

Monitoramento de preços

Machiaveli indicou que o governo está atento a possíveis pressões inflacionárias nos alimentos devido ao conflito no Oriente Médio, embora, no momento, a estabilidade dos preços seja garantida pela boa safra de grãos e a disponibilidade de estoques.

A subvenção ao diesel também é vista como um fator positivo para controlar os custos de produção.

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