Especialista analisa as vantagens da recria intensiva sobre o modelo tradicional

O debate do Giro do Boi, realizado na quarta-feira (15), abordou de forma decisiva o tema da recria bovina, com a presença do veterinário e consultor Dr. Guilherme Vieira.
A discussão centrou-se na comparação entre a recria tradicional, que é marcada por sua lentidão e estresse nos animais após o desmame, e a recria intensiva a pasto (RIP), uma abordagem modernizada e eficiente.
✨ Investir em recria intensiva não é apenas uma escolha de nutrição, mas uma estratégia para girar capital até três vezes mais rápido.
A recria tradicional é vista como um dos principais obstáculos na pecuária brasileira, onde muitos animais perdem peso e tempo, especialmente durante a transição para a seca.
A recria intensiva apresenta-se como uma solução eficaz para aumentar a rentabilidade. Enquanto a recria tradicional pode exigir entre 36 a 48 meses até o abate, a RIP possibilita que um animal que pesa sete arrobas alcance até doze arrobas em um intervalo de apenas três a cinco meses.
Esse sistema permite ao produtor realizar até três ciclos de criação por ano na mesma área, crescendo a lotação de dois para seis animais por hectare.
Durante o período de recria, um aporte adequado de proteína é essencial para promover o crescimento ósseo e muscular, preparando os animais para um melhor acabamento ao serem abatidos ou para a reprodução precoce das fêmeas.
O Dr. Guilherme Vieira destaca que, para que a recria intensiva funcione, é necessário manter rigor técnico e estrutura adequada na fazenda. Um dos principais problemas enfrentados no Brasil é o fato dos animais passarem por duas secas durante a recria, o que compromete seu desenvolvimento e causa prejuízos que são difíceis de reverter.
Na abordagem de recria intensiva, os animais aprendem a se alimentar desde pequenos e mantêm um crescimento contínuo, garantindo que novilhas possam ser reproduzidas entre 13 e 14 meses, combatendo o problema do ‘útero infantil’ e acelerando o retorno sobre investimentos em genética.
Em 2026, a lucratividade no setor não se baseia apenas na posse do gado, mas na rapidez com que esse gado se transforma em produto final.
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