Governo Federal Deve Manter Controle sobre Exportação de Carne para a China
Frigoríficos buscam alternativas frente à decisão do governo sobre a cota de exportação

O governo federal decidiu não intervir na regulação da cota de exportação de carne bovina para a China neste ano, apesar das solicitações do setor exportador. Este assunto não foi incluído na agenda da reunião do Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex), realizada nesta quinta-feira, 26, e a análise do tema em futuras reuniões ainda é incerta.
Impasse e Preocupações do Setor
Os frigoríficos, em busca de compensar a queda de receita esperada, almejam apoio do Plano Brasil Soberano. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) manifestou ao governo sua oposição à regulação estatal das exportações, em uma carta ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), onde ressaltou que tal controle poderia afetar os preços percebidos pelos pecuaristas e potencialmente favorecer grandes frigoríficos em detrimento dos pequenos.
"A regulação deixaria os pecuaristas 'à mercê' da indústria
✨ Preocupação com Transparência
Contexto Adicional
Os pecuaristas temem que os frigoríficos possam declarar que já atingiram suas cotas, o que poderia levar a uma redução na cotação do boi, sem a devida comprovação do embarque de carne para a China.
Enquanto isso, as empresas de exportação apresentam argumentos em favor da implementação de um sistema de regulação que visa à divisão das cotas entre os frigoríficos, a fim de garantir uma oferta estável e evitar desorganização no mercado. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (Abiec), a falta de regulação pode resultar em uma diminuição dos preços no mercado externo e desvalorização das exportações.
Expectativas para o Futuro
O presidente da Abiec, Roberto Perosa, expressou sua preocupação com a iminente redução das cotas, que pode acontecer nos próximos meses. Ele apontou que a ausência de um regramento adequado poderá desequilibrar os preços da arroba durante períodos de maior oferta, especialmente durante o segundo semestre.
- 1Cota de 1,1 milhão de toneladas para 2026
- 2Entrada de mais de 372 mil toneladas de carne brasileira na China em janeiro e fevereiro
- 3Previsão de que a demanda continue aquecida
Com a decisão atual, frigoríficos pequenos temem ficar ainda mais vulneráveis em um cenário de competição desordenada, onde grandes multinacionais podem rapidamente absorver o restante da cota disponível. O setor busca alternativas para minimizar os impactos da possível redução de vendas e pressão nos preços.
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Acro Rodrigues
Jornalista especializado em Agronegócio
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