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Agronegócio
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Setor de fertilizantes no Brasil reage à reabertura do Estreito de Ormuz

Indústria teme impacto na oferta e preços mesmo com a reabertura.

Acro Rodrigues08 de abril de 2026 às 13:05
Setor de fertilizantes no Brasil reage à reabertura do Estreito de Ormuz

A cadeia de fertilizantes no Brasil se mostra cautelosa após o anúncio da reabertura do Estreito de Ormuz, que ocorreu nesta quarta-feira, 8 de abril. O setor, duramente afetado pela alta de preços e pela escassez de insumos devido ao conflito no Oriente Médio, manifesta preocupações sobre a plena capacidade de produção na região.

Desde o início do conflito em 28 de fevereiro, a oferta de fertilizantes e insumos tem sido comprometida, fazendo com que o setor se ajuste a novos custos. Bernardo Silva, diretor executivo do Sindicato Nacional das Indústrias de Matérias-Primas para Fertilizantes (Sinprifert), alerta que a reabertura não resolve questões mais amplas de infraestrutura que podem ter sido danificadas durante a guerra.

Cerca de 50% do enxofre do mercado global transita pelo Estreito de Ormuz, essencial para a produção de fertilizantes.

Silva enfatiza que é incerto o quanto as instalações produtivas do Oriente Médio foram afetadas, o que impõe dúvidas sobre a capacidade de oferta após o conflito. Ele destaca que mesmo que o estreito seja reaberto, não se pode esperar um retorno imediato aos níveis anteriores de fornecimento. O executivo acredita que as pressões sobre preços e disponibilidade continuarão, já que o mercado enfrenta uma intensa competição por matérias-primas.

Além de fertilizantes, o enxofre também é crucial para outras indústrias, como a produção de ácido sulfúrico e minerais utilizados em transições energéticas e baterias. Essa competição por recursos tem gerado uma pressão adicional, além das incertezas geopolíticas.

Reação do governo federal

Integrantes do governo demonstram semelhantes incertezas. O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Campos, expressou sua preocupação com a especulação crescente e os riscos associados. Ele comentou que ainda não há planos específicos para apoio ao setor de fertilizantes no próximo Plano Safra 2026/27, afirmando que as propostas estão sendo discutidas, mas nada foi formalizado.

"O cenário para aquisição de fertilizantes é desafiador e estamos abertos a sugestões, mas não temos nenhuma proposta concreta até o momento," concluiu Campos.

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