Retração na demanda de fertilizantes preocupa setor agrícola
Indústria enfrenta desafios com restrições de insumos e aumento de custos

A possibilidade de escassez de fertilizantes, além do aumento nos preços, já está alterando a demanda no setor agrícola, gerando preocupação para a próxima safra. Durante um evento da Argus Media em São Paulo, especialistas destacaram sinais de diminuição da demanda e dificuldades na oferta.
✨ Especialistas alertam que pode haver falta física de produtos essenciais para a agricultura.
Felipe Coutas, gerente da Itafos, revelou que muitos agricultores estão optando por não adubar, independentemente dos preços. Ele afirmou que as atuais condições de troca tornam a adubação menos viável, citando que um pacote de fertilizantes NPK consume cerca de 40 sacas por hectare, enquanto a produtividade média está em torno de 67 sacas.
Um fator alarmante é a escassez global de insumos como enxofre e ácido sulfúrico, que são vitais para a produção de agroquímicos. Essas restrições estão ligadas ao desempenho da indústria de petróleo e gás, que já enfrentava um superávit até 2023, mas agora apresenta um déficit crescente.
Impactos no Brasil
No Brasil, essa dependência dos insumos está elevando os custos operacionais. Coutas destacou que o setor agrícola encontra dificuldade para repassar os aumentos de preços, diferentemente de outras indústrias, como a química.
"Muitas vezes, é mais lucrativo vender ácido sulfúrico do que produzir fosfatados de baixa concentração
Além das dificuldades na aquisição, o setor enfrenta gargalos logísticos. A infraestrutura portuária brasileira, especialmente para produtos como enxofre, é inadequada e pode restringir ainda mais a produção de fertilizantes.
O aumento dos custos também leva a uma necessidade maior de capital de giro. Relatos indicam que operações que antes demandavam cerca de US$ 8 milhões agora podem exigir até US$ 40 milhões, dificultando o acesso ao crédito.
Estratégias diante da crise
Com essa realidade, a indústria já está considerando ajustes em suas estratégias de produção, enquanto agricultores avaliam maneiras alternativas de manejo. Opções incluem o uso de fosfato natural reativo, que não exige ácido sulfúrico, além de fertilizantes de menor concentração e métodos de adubação mais específicos.
Entretanto, essas alternativas também enfrentam limitações, seja em quantidade, seja em impacto potencial na produtividade. Propostas sobre a migração para produtos de menor concentração, por exemplo, poderiam aumentar o volume aplicado sem garantir o mesmo rendimento.
No campo, já se observa uma redução na adubação, com agricultores cortando até 25% das aplicações de fósforo e buscando otimizar o uso de nutrientes já presentes no solo. Apesar dessa diminuição, a previsão é de manutenção da área plantada, com incerteza em relação à produtividade.
"Embora a área de plantio deva se manter, será difícil alcançar a meta de produção esperada
O cenário atual, portanto, une a dificuldade de oferta, preços em alta e limitações de crédito, exigindo adaptações em toda a cadeia agrícola, como resumiu Coutas: 'Não há uma solução clara, precisamos apenas encarar este desafio.'
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