Fenômeno climático pode atrasar plantio e impactar colheitas.

A safra 2026/27 do agronegócio brasileiro enfrentará um El Niño que pode ser o mais intenso já registrado, gerando preocupações significativas para os agricultores. O fenômeno, que teve início em junho deste ano, deverá atingir seu pico entre novembro e janeiro de 2027.
Especialistas indicam que a forte seca e as altas temperaturas previstas nas regiões Centro-Oeste e Norte poderão atrasar o plantio da soja, afetando seu rendimento. Além disso, há riscos adicionais para a floração do café e citros, com a possibilidade de que a cana-de-açúcar se beneficie das chuvas no Sudeste.
✨ Histórico: O último El Niño de grande magnitude ocorreu entre 2014 e 2016, resultando em perdas significativas em diversas culturas.
O El Niño é caracterizado pelo aumento da temperatura das águas do Oceano Pacífico, levando a alterações climáticas globais. Nos últimos 60 anos, sua frequência e intensidade aumentaram em relação aos 60 anos anteriores, influenciando severamente a produção agrícola.
Marcelo Seluchi, do Cemaden, observa que o aquecimento global contribui para a intensidade dessas condições extremas, expondo os cultivos aos riscos associados a esse fenômeno. Analisando o fenômeno atualizado pelo NOAA, a temperatura atualmente está em 1.3ºC, o que classifica o evento como moderado.
De acordo com Eduardo Assad, os últimos episódios de El Niño indicam que a agricultura poderá enfrentar perdas significativas, com estimativas que as perdas na safra possam alcançar até 20% se as condições climáticas forem desfavoráveis. O professor Guilherme Bastos destaca que o atraso no plantio da soja pode comprometer as semeaduras seguintes, como a do milho.
"O planejamento e o uso de seguro rural são essenciais diante da variabilidade climática. O manejo adequado do solo também ajuda a mitigar os impactos de excessos ou faltas de água.
Se houver atrasos no plantio, mas as condições melhorarem posteriormente, pode não haver grandes danos à produtividade. No entanto, o mercado poderá reagir rapidamente diante de qualquer quebra significativa nas lavouras, especialmente em um momento de alta demanda por biocombustíveis.
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