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Brasil
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Imigrantes no Brás enfrentam dificuldades extremas, aponta estudo

Pesquisa revela desafios como racismo e idioma na inserção econômica

Fernanda Lima17 de abril de 2026 às 10:05
Imigrantes no Brás enfrentam dificuldades extremas, aponta estudo

Um estudo da USP revelou que imigrantes africanos que trabalham como vendedores ambulantes no Brás, São Paulo, enfrentam grandes desafios devido ao racismo, à falta de domínio do português e à dificuldade de regularização no Brasil.

A pesquisa, realizada pelo sociólogo moçambicano Abobacar Mumade Ali como parte de sua tese de doutorado, destacou a exclusão social desses trabalhadores e evidenciou que o comércio informal é, muitas vezes, sua única forma de sustento devido a barreiras estruturais no país.

Desafios enfrentados por imigrantes

Baseada em entrevistas com imigrantes, especialmente jovens vindos do Senegal (43%) e da Nigéria (14%), a pesquisa revelou que muitos escolhem São Paulo em busca de melhores condições de vida e para auxiliar financeiramente suas famílias. No entanto, eles enfrentam dificuldades para se legalizar, o que gera medo e impede que denunciem abusos.

A barreira do idioma é um dos principais obstáculos para a formalização no mercado de trabalho.

Além disso, os entrevistados relataram experiências frequentes de racismo e xenofobia, perpetuando sua permanência em áreas marginalizadas da economia urbana.

Mecanismos de apoio e solidariedade

Para combater a exclusão, os imigrantes formam redes de apoio por meio de associações e grupos em aplicativos de mensagens, como o WhatsApp, promovendo solidariedade e acolhimento entre eles. O casamento com brasileiras, seja por amor ou para facilitar a regularização, também se mostra uma estratégia para permanecer no país.

A interação entre os vendedores e consumidores no Brás cria algumas oportunidades de aceitação social, com o Largo da Concórdia emergindo como um ponto de convergência importante devido ao seu fácil acesso e ao intenso fluxo de pessoas.

Necessidade de políticas públicas

A conclusão da pesquisa salienta que a verdadeira integração dos imigrantes depende de ações governamentais efetivas. O autor do estudo pede a implementação urgente de políticas públicas que priorizem o ensino do português, permitindo que esses trabalhadores possam acessar o mercado de trabalho formal e romper com o isolamento social que enfrentam.

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