Comunitários ampliam negócios e visam sustentabilidade na agricultura

No município de Tocantínia, no Tocantins, a etnia Xerente transforma suas tradicionais plantações em um modelo de negócios. Agora, produtos como mandioca, abóbora e maracujá não servem apenas para a subsistência, mas também são vendidos para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).
A primeira venda da Associação Indígena Xerente foi aprovada em 2025, totalizando R$ 150 mil, e as entregas à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estão programadas até setembro deste ano. Os produtos alimentam as escolas da própria comunidade.
✨ A expectativa para este ano é de aumentar as vendas para mais de R$ 500 mil, conforme menciona o cacique Pedro Paulo Xerente.
O presidente da Conab, Silvio Porto, ressaltou que o PAA destina R$ 40 milhões em 2026 para compra de alimentos de povos indígenas. Apesar de no passado essas aquisições terem sido limitadas a apenas 2% do programa, mudanças regulatórias recentes permitiram um crescimento significativo nesse número.
Antigamente, a participação indígena no PAA exigia que os agricultores estivessem registrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), um critério que dificultava a inclusão. Agora, a identificação é viabilizada por meio do Cadastro Único (CadÚnico), facilitando o acesso dos indígenas ao programa.
Ainda assim, o cacique Pedro Xerente observa as dificuldades enfrentadas na elaboração de propostas. Apesar de ter formação em administração, muitos comunitários têm dificuldades em atender os requisitos exigidos pelo governo para a participação no programa.
O PAA destina recursos para compra de alimentos produzidos em comunidades tradicionais, e possui crescido sua inclusão indígena nos últimos anos. Em 2023, iniciaram mudanças que possibilitaram ampliá-la.
Com a documentação adequada, a associação dos Xerente está otimista com novas oportunidades. Os lucros obtidos estão sendo reinvestidos na produção, incluindo a compra de novos frangos para engorda, para melhorar a eficiência.
A promoção de novos negócios também se estende a outras regiões, como em Jacareacanga, no Pará, onde a comunidade Munduruku iniciará suas vendas ao PAA, com um investimento total de R$ 820 mil da Conab.
Essas iniciativas não apenas promovem a segurança alimentar, mas também abrem novas oportunidades econômicas para as comunidades indígenas, reforçando sua presença no mercado agrícola.
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