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Projeto Marés impulsiona pesca artesanal na baía de Guanabara

Com mudanças na comercialização, pescadores conquistam autonomia

Gabriel Azevedo29 de junho de 2026 às 06:35
Projeto Marés impulsiona pesca artesanal na baía de Guanabara

Neste 29 de junho, Dia Nacional do Pescador, a comunidade de Pacobaíba, localizada na baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, encontra razões para comemorar. Através do Projeto Marés, os pescadores locais eliminaram intermediários e agora conseguem comercializar diretamente até 21 toneladas de peixe mensalmente, beneficiando programas de merenda escolar e distribuindo seus produtos na Ceasa.

Michel Theóphilo, presidente da Associação Livre de Pescadores Artesanais de Guia de Pacobaíba (Alpagp), compartilha que as parcerias estabelecidas com o Instituto Marés transformaram a rotina dos pescadores. A Alpagp, fundada em 2003 após um acidente ambiental, busca melhorar as condições de vida dos pescadores localmente.

Histórico e desafios enfrentados

O desenvolvimento começou após um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre o Ministério Público Federal e a Chevron, seguido pela supervisão da Agência Nacional de Petróleo (ANP) e do Ibama. O TAC foi um esforço para mitigar os danos causados por derramamentos de óleo em 2011 e 2012, visando proteger a biodiversidade costeira e promover a pesca sustentável.

Desde que a Petrorio assumiu a área em 2019, as promessas do TAC continuam a ser executadas, e o Instituto Marés foi escolhido para liderar o Projeto Marés de Pacobaíba.

Com o projeto, a Alpagp registrou mais de 600 famílias de pescadores e atualmente opera com cerca de 400 pescadores ativos.

O projeto promoveu melhorias significativas, como a aquisição de um caminhão frigorífico e a modernização das instalações da associação. Desde a implementação, a renda dos pescadores aumentou em cerca de 40%, permitindo que mais pessoas se dediquem novamente à atividade pesqueira.

Futuro da pesca artesanal

Apesar das melhorias, Michel destaca o desafio de atrair novos talentos para a pesca, com muitos filhos de pescadores hesitando em seguir a tradição. O Instituto Marés criou um plano de negócios voltado para a sustentabilidade financeira, que inclui a formalização e o desenvolvimento de ferramentas de gestão para conquistar novos mercados.

A presidente do instituto, Maria Rita Olyntho Machado, ressalta que, com o suporte do projeto, a comunidade já vendeu mais pescado, a preços melhores, e está se preparando para expandir suas atividades, incluindo o processamento de peixe para aumentar a lucratividade.

Além dos principais produtos que incluem corvina e tainha, a pesca artesanal local também tem atraído a captura de robalo e pescada amarela, cujos estoques são mais raros, agregando valor à atividade pesqueira na região.

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