Novo marco legal sobre terras raras é aprovado, mas falta ambição.

A Câmara dos Deputados aprovou no dia 6 um projeto de lei estabelecendo uma política nacional para minerais críticos, mas a proposta falha ao não incluir a criação de uma estatal focada em terras raras, priorizando a regulação do setor.
Embora o texto contemple incentivos para o processamento mineral, especialistas consideram que esta abordagem é um passo importante, mas ainda insuficiente para que o Brasil se posicione na corrida global por essas matérias-primas. O substitutivo do deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) introduz um sistema de incentivos fiscais progressivos e oferece créditos de até 20% dos investimentos, limitados a 1 bilhão de reais anualmente entre 2030 e 2034.
✨ A criação de um fundo garantidor de 5 bilhões de reais para a atividade mineral está entre os pontos mais destacados da proposta.
De acordo com Marcos André Gonçalves, presidente do Conselho Superior da Agência para o Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral Brasileiro, a proposta pode resultar em um 'subcódigo de mineração', que acrescentaria camadas à legislação já existente. Ele enfatiza a importância de garantir rastreabilidade e valorização no Brasil e questiona a eficácia dos métodos propostos.
"As intenções são ótimas, mas é preciso perguntar se os meios escolhidos realmente levam a esse resultado
Outro ponto que gera preocupação é a exigência de que todas as operações de extração de terras raras agreguem valor no Brasil. Gonçalves acredita que essa demanda ignora as realidades do mercado global e potenciais limitações econômicas do país. O Brasil possui apenas uma mina em operação, a Serra Verde, em Goiás, que iniciou atividades em 2024 após a aquisição pela USA Rare Earth por cerca de 2,8 bilhões de dólares.
As terras raras são elementos químicos essenciais para a tecnologia moderna, mas como um grupo, não são escassos; seu processamento é, no entanto, complicado e custoso. A China domina o mercado global, controlando quase metade das reservas e mais de 90% do refino.
A pressão do governo dos EUA para diversificar suas fontes de minerais estratégicos intensificou-se, especialmente com o aumento da demanda. Durante uma reunião entre o presidente Lula e Donald Trump, Lula expressou que o Brasil está aberto a parcerias internacionais sem preferências por nacionalidades.
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