Diamante em Juína traz novas pistas sobre água no interior da Terra
Estudo destaca descoberta do CNPEM sobre mineral raro e suas implicações

Um recente achado em Juína, no Mato Grosso, destaca um diamante raríssimo que pode revolucionar nosso entendimento sobre como a água se movimenta no interior da Terra. A pesquisa, realizada por cientistas do CNPEM, trouxe à luz um mineral que pode carregar água para regiões profundas do manto terrestre.
A importância da descoberta
Publicada na revista Nature Scientific Reports, a investigação revelou que o diamante estudado pertence ao grupo dos "superprofundos", formados a profundidades que podem atingir até 800 quilômetros. Embora não tenha grande valor comercial, este tipo de diamante é valioso para pesquisa e aplicação em tecnologia de corte e precisão.
✨ O diamante pode mudar o entendimento sobre a dinâmica da água no manto terrestre.
Contexto sobre os "superprofundos"
Diamantes 'superprofundos' são encontrados em locais específicos e oferecem insights importantes sobre a formação e as condições do interior da Terra.
Os cientistas analisaram uma inclusão de oxihidróxido de ferro no diamante, que é uma combinação de minerais hidratados. Essa inclusão pode atuar como um meio de transporte para a água desde a superfície até o manto, o que é crucial para entender as condições extremas que existem lá embaixo.
Desvendando o manto profundo
Segundo Fernanda Gervasoni, pesquisadora colaboradora do CNPEM, essa descoberta traz uma nova perspectiva sobre o que consideramos possível no interior da Terra. Minerais hidratados, que eram considerados pouco prováveis nessas condições, podem realmente existir, desafiando conceitos pré-estabelecidos.
O estudo foi realizado utilizando tecnologia de ponta do acelerador de partículas Sirius, permitindo uma análise detalhada da estrutura e composição do mineral. Os resultados sugerem que o material encontrado no diamante provém de zonas de subducção, onde as placas tectônicas colidem e descem ao interior da Terra, liberando água e oxigênio.
✨ As descobertas podem impactar nossa compreensão sobre a dinâmica interna do planeta.
A pesquisa indica que a água e oxigênio, mesmo em grandes profundidades, modificam propriedades do manto, influenciando processos como a fusão de rochas e a ocorrência de sismos. Assim, nossa compreensão do ciclo de água na Terra se expande além de oceanos e atmosfera, considerando também interações profundas dentro do planeta.
Fernanda acrescenta que a transformação observada do mineral dentro do diamante é significativa, indicando que ele pode já ter liberado água no ambiente de alta pressão do manto, contribuindo para um entendimento mais rico sobre os processos químicos e físicos que ocorrem em profundidades extremas.
Colaboração e apoio ao estudo
Este trabalho envolveu uma equipe multidisciplinar de especialistas do CNPEM, além de colaborações com instituições acadêmicas, incluindo a Universidade de Brasília e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O projeto teve suporte adicional da Fapesp, que financia a pesquisa de pós-doutorado de Gervasoni.
Leia Também
Não perca nenhuma notícia!
Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.
Gostou desta notícia? Compartilhe!
Mais de Ciência

Compostos da copaíba-vermelha mostram eficácia contra SARS-CoV-2
Estudo revela potencial antiviral de espécies endêmicas brasileiras

Fatores de Biodiversidade de Anfíbios Anuros São Estudados em Ilhas Brasileiras
Pesquisa revela a influência de tamanho de ilha, distância do continente e produtividade na diversidade de espécies.

Estudo revela novo mecanismo de fechamento em dioneia
Pesquisadores desvendam funcionamento inovador da planta carnívora

Nova arqueia descoberta em vulcão da Antártida desafia limites da vida
Microrganismo revela potencial de sobrevivência em ambientes extremos.





