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clima
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El Niño e fenômenos atmosféricos afetam chuvas no Sul do Brasil

Aumento das chuvas na Região Sul ainda não pode ser atribuído ao El Niño

Mariana Souza15 de junho de 2026 às 11:16
El Niño e fenômenos atmosféricos afetam chuvas no Sul do Brasil

A recente ocorrência do fenômeno conhecido como El Niño no Oceano Pacífico atraiu a atenção para os possíveis impactos climáticos no Brasil. Especialistas destacam que, apesar da previsão de tempestades na Região Sul, os volumes de chuva até agora não podem ser atribuídos unicamente ao fenômeno.

Interação de Mecanismos Atmosféricos

Conforme indicado por dados do Meteored, a iminente sequência de chuvas na Região Sul resulta da interação de diversos mecanismos atmosféricos operando em diferentes escalas. A dinâmica extratropical, em particular, continuará com influência significativa até o final de junho, marcada pela passagem de frentes frias e ciclones extratropicais.

Previsão de volumes de chuva acima da média para a Região Sul nas próximas semanas.

O modelo ECMWF sugere que a anomalia de precipitação semanal deverá se manifestar com volumes superiores à média, em especial para os estados do Sul. Contudo, esses acumulados ainda estão conectados à atuação de sistemas meteorológicos típicos das latitudes mais altas.

Mudanças na Oscilação Antártica

Um aspecto que está sendo monitorado é a Oscilação Antártica (AAO), também chamada de Modo Anular Sul. Espera-se que este fenômeno atinja um pico em sua fase positiva nas primeiras semanas do mês e, em seguida, transite para a fase negativa. Essa alteração deve favorecer a maior frequência de frentes frias e ciclones na região Sul do Brasil, o que poderá ampliar o volume de chuvas.

Ao mesmo tempo, meteorologistas notam indícios de que a atmosfera poderá reagir de maneira mais intensa ao aquecimento das águas do Pacífico tropical entre o final de junho e o início de julho.

Possível Reforço dos Ventos

Projeções indicam um potencial novo pulso da Oscilação Madden-Julian (MJO) sobre o Pacífico ocidental no fim do mês. Este fenômeno é conhecido por ser o principal agente da variabilidade intrassazonal nos trópicos, caracterizando-se por uma área de forte convecção que se desloca de oeste para leste em ciclos de 30 a 60 dias.

Se esse novo pulso for confirmado, pode intensificar os ventos de oeste na região equatorial, diminuindo os ventos alísios e potencializando o aquecimento na área conhecida como Niño 3.4.

A influência do El Niño pode se tornar mais evidente ao longo de julho.

Embora seja desafiador atribuir exclusivamente as recentes semanas chuvosas ao El Niño, os sinais apontam para uma maior evidência de sua influência em julho, aumentando a possibilidade de condições climáticas favoráveis à precipitação acima da média no Sul do Brasil.

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