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3 min de leitura

Temperaturas extremas atingem Europa sem ar-condicionado suficiente

Ondas de calor intensificam desafios para milhões de residentes

Gabriel Rodrigues24 de junho de 2026 às 17:35
Temperaturas extremas atingem Europa sem ar-condicionado suficiente

Milhões de europeus estão enfrentando ondas de calor recordes, com pouca infraestrutura de refrigeração em suas habitações.

Desafios do calor intenso na Europa

As altas temperaturas na Europa têm se tornado cada vez mais frequentes, e muitos moradores recorrem a ventiladores e banhos frios para se refrescar, já que o uso de ar-condicionado é raro. Enquanto nos Estados Unidos, aproximadamente 90% das residências possuem esse sistema, na Europa a cifra mal chega a 20%.

Mudanças climáticas estão intensificando ondas de calor na Europa.

A resistência ao ar-condicionado é compreensível, tendo em vista que os países europeus, especialmente no norte, historicamente não tiveram a necessidade de sistemas de refrigeração. Brian Motherway, chefe do Escritório de Eficiência Energética da Agência Internacional de Energia, explica que por muito tempo o ar-condicionado foi visto como um item de luxo.

Os custos de energia, que tendem a ser elevados na Europa, também são um empecilho para muitos. Além disso, a arquitetura de diversas construções favorece o resfriamento natural, reduzindo a percepção da necessidade de ar condicionado em muitas regiões.

Fatores históricos e culturais

As construções europeias muitas vezes não são projetadas para o calor intenso, tornando a adaptação a sistemas de ar-condicionado um desafio.

Ademais, questões burocráticas dificultam a instalação de sistemas de ar-condicionado na Grã-Bretanha, onde leis rígidas preservam a estética de edifícios históricos. Na corrente busca por neutralidade de carbono até 2050, o aumento no uso de ar-condicionado poderia complicar ainda mais os compromissos climáticos.

Estudos demonstram que o uso de ar-condicionado em áreas urbanas pode agravar as temperaturas externas entre 2 e 4 graus Celsius, complicando ainda mais o problema nas já calorosas cidades europeias.

Em 2022, a Espanha limitou a temperatura do ar-condicionado em locais públicos a 27 graus Celsius.

No entanto, a percepção em relação ao ar-condicionado na Europa está mudando, já que os cidadãos enfrentam um aumento de temperaturas extremas. As previsões sugerem que o número de unidades de ar-condicionado na União Europeia pode dobrar até 2050.

Richard Salmon, da The Air Conditioning Company, observa um aumento significativo na demanda por ar-condicionado, refletindo a necessidade urgente da população em se adaptar ao calor.

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As pessoas simplesmente não conseguem funcionar quando estão fervendo às 3 da manhã

Richard Salmon

No entanto, especialistas alertam que, apesar de oferecer alívio temporário, o uso de ar-condicionado pode perpetuar um ciclo vicioso de aquecimento global, especialmente se a energia utilizada vier de fontes fósseis.

A mudança na abordagem em relação ao ar-condicionado na Europa será cada vez mais necessária para enfrentar o calor extremo, com a urgência de regulamentações que promovam a eficiência energética nos novos sistemas.

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