Organizações da sociedade civil divulgam 47 propostas para candidatos

Organizações civis especializadas em agroecologia apresentaram hoje uma carta política com 47 propostas direcionadas a candidatos a cargos de governador e presidente nas próximas eleições. O intuito é que essas sugestões sejam integradas às plataformas de campanha dos postulantes.
O documento, idealizado pela Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), foi revelado durante a reunião da Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Cnapo). Segundo Sarah Luiza Moreira, uma das integrantes da equipe da ANA, o propósito é enfatizar a agroecologia como uma ferramenta crucial para a transformação social, direcionando a discussão política para questões centrais que envolvem o setor.
✨ As propostas incluem desde acesso a crédito até políticas sociais no campo.
Entre as pautas destacadas, está a ampliação do suporte à produção agroecológica, promovendo a comercialização através de compras públicas e programas institucionais. A carta sugere a criação de linhas de crédito sem juros para agricultores que desejam realizar a transição para métodos agroecológicos, bem como exigir prazos que respeitem os ciclos produtivos.
Além disso, a proposta pede o aumento de recursos não reembolsáveis para projetos como quintais produtivos, agricultura urbana e preservação de sementes tradicionais.
Outra proposta significativa envolve a criação de uma política tributária que insira taxas sobre agrotóxicos, com o propósito de usar o dinheiro arrecadado para apoiar iniciativas de agroecologia e fortalecer a agricultura familiar.
Na esfera educacional, a carta defende o fortalecimento de programas que incentivem a permanência de jovens no meio rural, como as Escolas Família Agrícola e o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), com a inclusão de concessão de bolsas de estudo para atraí-los.
A necessidade de maior regulação e transparência nas plataformas digitais também é mencionada, assim como a promoção da comunicação comunitária e o aumento do acesso à internet em regiões rurais e periféricas.
As propostas relacionadas à saúde incluem a promoção de políticas públicas que integrem práticas com plantas medicinais e fitoterápicos no Sistema Único de Saúde (SUS), originários da agricultura familiar.
Por fim, o documento clama por maior participação de agricultores familiares e comunidades tradicionais nos fóruns de decisão política, assim como a implementação de acordos internacionais voltados à proteção da biodiversidade e aos direitos dos trabalhadores rurais.
A ANA une 23 redes estaduais e regionais e conta com a participação de centenas de grupos, associações e ONGs em todo o Brasil, além de 15 movimentos sociais de alcance nacional.
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