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Cultura
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Descoberta de púrpura tíria em túmulos desafia visões sobre luto infantil

Análise revela o uso do corante associado à realeza em cemitérios romanos.

Gabriel Rodrigues01 de junho de 2026 às 13:45
Descoberta de púrpura tíria em túmulos desafia visões sobre luto infantil

Uma nova descoberta em York, Inglaterra, está desafiando crenças sobre o luto infantil. Arqueólogos da Universidade de York identificaram vestígios do raro corante conhecido como púrpura tíria em túmulos romanos de aproximadamente 1.700 anos.

O pigmento, utilizado por aristocratas e associado à realeza, foi encontrado em tecidos que envolviam os corpos de dois bebês. Este achado traz à tona questões sobre como a sociedade romana lidava com a morte infantil, especialmente em um período em que aproximadamente 30% das crianças não sobreviviam ao primeiro ano de vida.

A púrpura tíria era tão valiosa que seu custo chegava a ser três vezes superior ao do ouro na Roma antiga.

Significado cultural e histórico

Os túmulos, datados do final do século III ou início do IV d.C., contêm informações importantes sobre a vida na Roma antiga. Um dos bebês estava sepultado em um caixão de pedra, enquanto o outro foi colocado em um caixão de chumbo, ambos resguardados por gesso líquido, uma técnica que preservou as impressões do tecido.

A pesquisa, que faz parte do projeto 'Seeing the Dead', coordenado pela professora Maureen Carroll, utilizou análises químicas para detectar resíduos do corante invisíveis a olho nu. Essa imagem da presença da púrpura em contextos funerários de bebês sugere uma nova perspectiva sobre o valor atribuído à infância na antiga York.

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Essa descoberta notável diz muito sobre a importância das crianças na York romana e a disposição dos familiares em proporcionar uma despedida digna, mesmo nas circunstâncias mais trágicas.

Professora Maureen Carroll

Contexto sobre a púrpura tíria

O corante púrpura tíria era extraído de moluscos marinhos da espécie murex, e seu processo de produção era extremamente laborioso, envolvendo a extração de pequenas quantidades de pigmento de milhares de moluscos. O nome 'tíria' deriva da cidade de Tiro, na Fenícia, onde o corante era produzido.

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