Miguel, o bordador que renova tradição em Entremontes
Juvenil advogado se destaca em arte histórica dominada por mulheres

Quando o sol se põe sobre o Baixo Sertão de Alagoas, Entremontes se transforma em um vibrante ateliê a céu aberto. A cena, repleta de mulheres bordando e compartilhando histórias, estabeleceu a cidade como a 'capital do bordado'.
✨ Miguel Correia, único homem bordador do vilarejo, reinventa o tradicional redendê.
Com uma população de apenas mil habitantes, mais de 300 mulheres dominam a técnica de bordado que entrelaça memórias e afetos. No entanto, Miguel, de 25 anos, se destaca como o único homem a se dedicar a essa arte transmitida de geração em geração.
A trajetória de Miguel no bordado
Neto de uma das bordadeiras pioneiras, Miguel cresceu sob os cuidados da avó, enquanto sua mãe trabalhava. Acredito que a arte sempre esteve presente em sua vida; desde pequeno, ele observava as bordadeiras e os sons da agulha sobre o tecido.
"Oredendê é um trabalho minucioso que exige respeito à trama do tecido. Cometi muitos erros, mas aprendi aos poucos
Apesar de obter um diploma em Direito e ser o primeiro da família a entrar na universidade, Miguel percebeu que sua verdadeira paixão estava no bordado. A pandemia acentuou essa redescoberta, quando começou a ajudar sua mãe a fazer máscaras bordadas.
Inovação e novos horizontes
Depois dessa experiência, Miguel começou a adaptar o redendê a novos formatos, criando peças que vão além dos tradicionais enxovais. Suas criações trazem elementos da vida cotidiana de Entremontes, como casários, peixes e outros símbolos locais.
✨ Sua marca, Entreartes, foi reconhecida como um dos destaques do ano na categoria Projeto Artesanal pela plataforma FFW.
Além de expor suas peças em passarelas e eventos, Miguel sonha em expandir a prática do bordado entre os meninos da comunidade, oferecendo oficinas a partir de julho, com o objetivo de diversificar a tradição que sempre foi considerada feminina.
Contexto
O redendê é uma técnica de bordado de origem nórdica que chegou ao Brasil no período colonial e se consolidou na região entre Alagoas e Sergipe, tornando-se uma importante expressão da cultura local.
Assim, Miguel Correia é uma força renovadora em Entremontes, trazendo uma nova perspectiva para uma arte que, embora tradicional, está em constante evolução, garantindo que os fios do passado continuem a ser entrelaçados nas mãos das atuais e futuras gerações.
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