Voltar
economia
3 min de leitura

Análise do papel dos Bancos Centrais e da Finança no Capitalismo

Reflexões sobre teorias econômicas e a evolução do dinheiro

Carlos Silva11 de junho de 2026 às 18:25
Análise do papel dos Bancos Centrais e da Finança no Capitalismo

Recentemente, o Manifesto relacionado à PEC 65 provocou a reflexão sobre a atuação dos Bancos Centrais e suas políticas monetárias, questionando o papel do dinheiro e das finanças no sistema capitalista.

A contribuição de Hyman Minsky, economista keynesiano reconhecido após a crise de 2008, é fundamental neste contexto. Em seu artigo de 1992, 'Schumpeter and Finance', Minsky narra sua experiência em Harvard, ao lado de Paolo Sylos-Labini, um jovem economista italiano que se tornaria referência acadêmica.

Graduado em Matemática em 1941, Minsky continuou seus estudos sob a supervisão de grandes nomes, como Schumpeter e Alvin Hansen. Durante esse período, Schumpeter, que faleceu em 1950, teve seu trabalho subestimado pelos alunos da pós-graduação, que o consideravam ultrapassado.

A mensagem de Schumpeter é clara: a história não tem um fim definido.

Em sua obra 'Teoria do Desenvolvimento Econômico', Schumpeter caracteriza o banqueiro como um 'ephor', uma figura que controla e limita o que pode ser financiado, sugerindo que apenas o que é investido se torna viável. As empresas devem registrar suas situações financeiras e manter um saldo equilibrado entre ativos e passivos.

Os agentes do mercado enfrentam a constante necessidade de gerenciar riscos de crédito e liquidez. Aqui, Minsky adverte os defensores do mercado eficiente: a eficácia do 'ephor' é moldada por fatores internos das próprias instituições.

Minsky, assim como Schumpeter, argumenta que o sistema financeiro é uma força motriz da evolução econômica. Essa compreensão diferencia a 'Teoria Creditícia da Moeda' da 'Teoria Monetária do Crédito'. Essa nuance destaca a subordinação da circulação monetária a relações de credor e devedor.

Para Schumpeter, assim como para Keynes e Marx, nossa economia não é apenas uma troca de bens. Ela é uma complexa rede de relações monetárias e capitalistas, onde as decisões de produção estão sempre ligadas a antecipações financeiras.

Bellofiore, economista italiano, diferencia 'Dinheiro' e 'Moeda', sendo o primeiro uma forma de riqueza e o segundo um fluxo monetário necessário para as transações. O sucesso econômico requer a injeção de liquidez para impulsionar a produção.

A falta de movimentação do dinheiro, segundo Aristóteles, resulta em estagnação econômica. Sem a circulação do dinheiro, as mercadorias não são trocadas, prejudicando os ativos tanto reais quanto financeiros.

"

O espírito inquieto do mercado de capitais e a boa alma do dinheiro circulante são elementos vitais da economia – Hyman Minsky.

A 'financeirização' é parte intrínseca do capitalismo, não uma sua deformação. O capitalismo busca incessantemente o lucro e promete enriquecimento, mas isso torna nebulosas as fronteiras entre economia real e financeira.

Após a Segunda Guerra Mundial, o setor financeiro passou por um período de calmaria, atribuída a políticas de repressão financeira que tentavam regular o crédito e promover uma separação entre bancos comerciais e intermediários financeiros. Contudo, esse controle não durou, e o 'Espírito Dinheirista' escapou.

Não perca nenhuma notícia!

Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.

Ao assinar, você concorda com nossa política de privacidade.

Gostou desta notícia? Compartilhe!

Mais de economia