Brasil pode suspender subsídios de combustíveis se petróleo estabilizar
Suspensão depende da estabilização do preço do petróleo em torno de US$ 80.

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, indicou que o Brasil poderá encerrar os subsídios aos combustíveis, como diesel e gasolina, caso o preço do petróleo se mantenha estável em aproximadamente US$ 80 por barril. Essa atualização ocorre no contexto de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã para pôr fim ao conflito no Oriente Médio.
Em entrevista à Reuters, Ceron explicou que o término das hostilidades poderia melhorar as projeções de inflação e aliviar a pressão sobre os juros futuros, criando espaço para cortes adicionais nas taxas de juros pelo Banco Central e reduzindo os custos da dívida pública.
✨ Suspensão dos subsídios dependerá da estabilização do preço do petróleo.
Ceron sublinhou que os próximos 30 dias serão cruciais para observar como a situação se consolida, recomendando cautela, já que a guerra impactou não apenas os preços do petróleo, mas também indicadores como juros e a taxa de câmbio.
Se os preços se estabilizarem em torno da faixa de US$ 80, as medidas atuais de subsídios e reduções de impostos em vigor desde o início da guerra podem ser revogadas, afirmou. Essas medidas foram implementadas para mitigar os efeitos da alta do petróleo e incluem subsídios específicos para diesel, gasolina e gás de cozinha.
Cenário econômico e fiscal
Enquanto os economistas ajustam suas previsões de cortes nas taxas de juros, Ceron pontuou que as estimativas de inflação também foram afetadas principalmente pela instabilidade no Oriente Médio. Ele destacou que, ao excluir os efeitos da guerra, o cenário inflacionário não seria tão grave.
"Sem o impacto da guerra, não se tem um cenário de estresse inflacionário relevante.
Com a expectativa de que o preço do petróleo se estabilize, as projeções de inflação podem se ajustar rapidamente, permitindo uma maior liberdade na condução da política monetária, complementou Ceron. Desde o início deste mês, bancos têm revisado suas estimativas, que agora indicam um crescimento do PIB de 2,3% para este ano.
Ceron também abordou os desafios fiscais do país, reconhecendo a necessidade de discutir o aumento das despesas obrigatórias, mas sugerindo que não se deve propor medidas antes das eleições. Ele frisou que a alta dos juros no Brasil não é explicável apenas pela situação fiscal, mas também por fatores como a baixa taxa de poupança.
Com relação à alta nas expectativas de juros futuros, Ceron apontou que isto é efeito de dados positivos da economia norte-americana, implicando ajustes globais. Caso a paz se mantenha no Oriente Médio, a tendência é que os juros nos EUA também diminuam, com o Brasil seguindo essa tendência.
Contexto
Desde o início do conflito entre EUA e Irã, o Brasil implementou várias medidas emergenciais para controlar a alta do petróleo, incluindo cortes de impostos e subsídios.
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