Exportações aumentam enquanto oferta interna diminui, encarecendo o churrasco.

Os frigoríficos brasileiros estão apressando suas exportações de carne bovina para a China, levando a um aumento nos preços domésticos e tornando o churrasco mais caro durante a Copa. Especialistas indicam que a medida de salvaguarda imposta pela China alterou radicalmente o padrão das exportações.
De acordo com Fernando Iglesias, analista da consultoria Safras & Mercado, o Brasil costuma aumentar suas exportações no segundo semestre, mas este ano a situação é excepcional. Em janeiro, a China implementou uma sobretaxa de 55% para exportações além de 1,1 milhão de toneladas, e a tarifa normal de 12% se aplica a volumes inferiores.
✨ Preços de cortes de carne como filé-mignon e picanha subiram significativamente em maio, refletindo as pressões do mercado interno.
Embora a carga de compras da China possa diminuir temporariamente, o aumento da demanda nos Estados Unidos e a retomada das importações pela China farão com que os preços da carne aumentem novamente até o final de 2026. Em maio, cortes como filé-mignon subiram 4,4% e picanha 3,9%, segundo o IBGE.
Iglesias ressalta que, apesar do evento esportivo, a redução na oferta de carne bovina no Brasil exerce uma pressão maior sobre os preços em comparação com a demanda interna. O desafio atual é o elevado endividamento da população, que diminui o poder de compra, e o impacto negativo da cultura de apostas que afeta o consumo de produtos básicos.
✨ As exportações para a China aumentaram 24% de janeiro a maio, compartilhando 51% do total embarcado.
A consultoria Itaú BBA também confirmou que o ritmo acelerado das exportações é um fator crucial por trás dos preços elevados, mesmo com uma leve melhora na oferta de gado. Com a cota de exportação da China quase preenchida, Iglesias prevê um aumento momentâneo na oferta no mercado doméstico, mas a situação poderá mudar drasticamente no final do ano com a demanda retornando ao patamar elevado.
A proibição das importações de carne brasileira pela União Europeia, que representa apenas 3,5% do total das exportações, terá efeito mínimo nos preços, mas pode prejudicar a imagem do Brasil no mercado global. A decisão, que passa a valer em setembro, se deu pela insatisfação com as práticas de produção do país.
"O impacto tende a ser mais um arranhão na imagem do Brasil do que propriamente uma perda relevante de volume exportado
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