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economia
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Crise econômica leva Raízen a solicitar recuperação judicial

Gigante do setor de combustíveis busca reestruturar R$ 65 bilhões em dívidas

Carlos Silva23 de abril de 2026 às 16:55
Crise econômica leva Raízen a solicitar recuperação judicial

Em um cenário econômico desafiador, a Raízen protocolou um pedido de recuperação extrajudicial, visando reorganizar aproximadamente R$ 65 bilhões em dívidas, o que pode se tornar a maior reestruturação desse tipo no Brasil.

A mudança na abordagem sobre insolvência empresarial, iniciada com a Lei de Recuperação Judicial de 2005, oferece opções além da falência, buscando preservar empregos e permitir a recuperação financeira das empresas.

Raízen e Grupo Pão de Açúcar são exemplos de grandes empresas em reestruturação financeira no Brasil.

Em um recente levantamento, foi identificado que 21 das 357 empresas listadas na Bolsa de Valores estão em recuperação judicial. Juntas, essas situações representam cerca de 6% das companhias abertas, destacando a magnitude do problema.

O Banco Central iniciou um ciclo agressivo de aumento nas taxas de juro, o que teve um papel significativo na deterioração dos resultados financeiros de muitas empresas, levando setores, especialmente o agronegócio, a uma crise inesperada.

Luiz Alexandre Cristaldo, economista e vice-presidente do Instituto Brasileiro de Administração Judicial, observa que a atual situação não é apenas uma mudança de ciclo, mas um reflexo das consequências acumuladas por dois anos de deterioração da economia.

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O que vemos não é uma virada de ciclo, mas um respiro estatístico após dois anos de forte deterioração. O problema não passou, ele está sendo digerido.

Contexto

Em 2025, foram registradas 977 falências, o maior número desde 2016, com um aumento de 5,5% em relação ao ano anterior.

A insegurança do mercado é evidenciada também pela situação de outros grandes nomes, como a Americanas e a Oi, que enfrentam dificuldades financeiras graves. Os casos sinalizam uma crise de liquidez profunda, amplificada pela alta nas taxas de juros.

O setor agrário, que viu sua participação em processos de recuperação judicial saltar, enfrenta uma realidade financeira limitada após anos de crescimento sustentado por crédito acessível.

Manter uma estrutura financeira saudável é agora um desafio, e especialistas destacam que a reestruturação deve ser vista como uma ferramenta de gestão proativa, não apenas como um último recurso.

A queda de 19% nos pedidos de falência em 2025 pode ser um sinal positivo, mas a realidade de milhões de CNPJs negativados indica que o problema de solvência persiste.

O futuro permanece incerto, com sinais de que a recuperação das empresas não se dará de forma rápida ou fácil, enquanto muitas ainda lutam para se manter no caminho da recuperação.

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