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economia
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Demanda chinesa por alimentos do Brasil pode estar em desaceleração

Estudo indica que consumo per capita na China está se estabilizando

João Pereira11 de maio de 2026 às 11:15
Demanda chinesa por alimentos do Brasil pode estar em desaceleração

A crescente demanda chinesa por alimentos brasileiros, resultado da ascensão econômica da China, pode estar enfrentando uma desaceleração. Um estudo de especialistas da Embrapa Territorial e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) aponta que o consumo per capita de alimentos na China está se estabilizando, o que pode impactar significativamente as exportações agropecuárias brasileiras para o país.

Causas da Estabilização do Consumo

A analista Daniela Tatiane de Santos explica que a diminuição na taxa de crescimento do consumo é comum em países que alcançam um maior desenvolvimento econômico, um fenômeno chamado de Lei de Engel. À medida que as famílias aumentam a renda, priorizam a qualidade da alimentação, mas eventualmente alcançam um limite em seu consumo, redirecionando gastos para outros bens, como produtos duráveis e lazer.

O consumo per capita de leite, que crescia mais de 10% ao ano na década de 2000, caiu para apenas 0,6% entre 2010 e 2022.

Isso reflete um padrão mais amplo, onde, apesar do aumento na diversidade alimentar, alguns grupos alimentares, como raízes e tubérculos, apresentam redução no consumo. Contrapõe-se a isso a demanda crescente por produtos como chá e café, impulsionada pela urbanização e influência ocidental.

Perspectivas para o Comércio Exterior

De acordo com o artigo publicado na Revista de Economia Contemporânea, a expectativa é que as exportações brasileiras para a China não sofram uma queda acentuada em breve, mas um crescimento exponencial semelhante ao das últimas duas décadas pode não se repetir. A abertura da China a insumos como soja tem favorecido as exportações, reforçando a necessidade de continuidade desse canal comercial.

"

A China não está disposta a depender excessivamente de importações de alimentos, mesmo para produtos considerados de alto padrão, como carne bovina.

Marcelo Pinho, UFSCar

Por outro lado, a produção interna de alimentos na China tem se mostrado resistente, especialmente no que se refere a grãos e carnes. A continuidade do crescimento das exportações brasileiras dependerá, portanto, da manutenção de uma política aberta de importações na China e também da capacidade do Brasil de adaptar-se às exigências do mercado.

O Brasil é visto como preparado para manter sua competitividade no mercado agropecuário, apesar dos novos desafios.

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