USA Rare Earth adquire Serra Verde por US$ 2,8 bilhões
Negócio impulsiona a produção de terras-raras nos EUA

A USA Rare Earth, uma companhia americana listada na Nasdaq, anunciou na segunda-feira, dia 20, a aquisição da Serra Verde, a única mineradora de terras-raras em operação no Brasil, por um valor de 2,8 bilhões de dólares. A operação deve ser finalizada no terceiro trimestre de 2026, com um pagamento inicial de 300 milhões de dólares e o restante em ações.
Apesar de ter o nome brasileiro, a Serra Verde já era operada por investidores estrangeiros antes da compra, com sua produção voltada principalmente para o mercado global. A nova aquisição faz parte da estratégia dos EUA, que, após a suspensão das exportações de minerais críticos pela China, têm focado em aumentar sua própria capacidade de produção.
✨ A Serra Verde se comprometeu a fornecer 100% de sua produção durante a fase inicial da mina para uma empresa específica apoiada pelo governo norte-americano.
Fundada em 2019, a USA Rare Earth começou a gerar receita apenas no final de 2025, com um total de 1,6 milhão de dólares, embora tenha registrado um prejuízo líquido de quase 300 milhões no mesmo ano. Seu projeto mais ambicioso, o Round Top, está localizado no Texas e deve entrar em operação até o final de 2028.
Além disso, a Serra Verde recebeu 565 milhões de dólares de financiamento da U.S. International Development Finance Corporation (DFC), o que garante que sua produção priorize a necessidade das empresas americanas. Conor Coleman, o responsável por investimentos da DFC, destacou que o contrato contém cláusulas que asseguram que os minerais extraídos se destinem principalmente aos Estados Unidos.
A mina localizada em Minaçu, Goiás, é o único depósito fora da Ásia capaz de produzir quatro tipos de minerais essenciais para a fabricação de ímãs permanentes, amplamente utilizados em veículos elétricos e tecnologia de defesa. Até o momento, a maioria de sua produção era exportada para a China, que domina 70% da extração global de terras-raras.
A aproximação entre os governos brasileiro e americano tem sido favorecida por líderes brasileiros, como o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que firmou um acordo para acessar informações geológicas do estado em troca de apoio americano para a mineração. Contudo, este tipo de acordo é questionado legalmente, pois a regulação de minerais estratégicos deve ser feita pela União.
Além disso, o senador Flávio Bolsonaro mencionou em um evento sobre a importância do Brasil em reduzir a dependência americana de minerais da China, enquanto o presidente da Câmara, Hugo Motta, anunciou a urgência em discutir a nova Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, que poderia moldar o futuro da mineração no país.
Os deputados da oposição, no entanto, criticam a forma como o projeto está sendo conduzido, ressaltando que a criação de uma estatal para a exploração minerária poderia ter impactos negativos e que o governo deve reconsiderar suas propostas. O presidente Lula também se manifestou a favor de uma abordagem que assegure a participação do Estado nos bens minerais e evite a exportação sem valor agregado.
"Não repetiremos o papel de meros exportadores de commodities. Esses insumos devem ser instrumentos de desenvolvimento econômico e social.
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