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economia
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Desvalorização do real em maio reflete fuga de capitais do Brasil

Redução no apetite por ativos brasileiros impacta Ibovespa e dólar.

Mariana Souza06 de junho de 2026 às 11:30
Desvalorização do real em maio reflete fuga de capitais do Brasil

A desvalorização do real em maio está diretamente ligada à queda do interesse por investimentos no Brasil e ao crescimento das ações de tecnologia nos Estados Unidos, afirmam especialistas consultados pelo Broadcast, do Grupo Estado.

Dados da B3 indicam que os investidores internacionais retiraram R$ 14,104 bilhões do mercado de ações brasileiro em maio, após um saldo positivo de R$ 3,179 bilhões em abril. No entanto, considerando o total acumulado de 2026, ainda há um fluxo positivo de R$ 42,44 bilhões.

Ibovespa registrou uma queda de 7,22% em maio, embora ainda mantenha uma alta de 7,86% no ano.

Enquanto isso, o índice Nasdaq, que abriga ações de tecnologia, teve um ganho superior a 8% no mesmo período, impulsionado por novos investimentos em inteligência artificial.

William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, destacou que o retorno dos EUA como um centro atrativo de investimentos tem fortalecido o dólar. Segundo ele, fluxos de capital agora estão mais concentrados em mercados emergentes que têm relação próxima com a tecnologia, o que diminui o apelo pela bolsa brasileira.

Eduardo Aun, da AZ Quest, comentou que esse cenário pode acentuar a atratividade dos ativos americanos, especialmente em um contexto de atividade econômica robusta nos EUA e uma política monetária mais conservadora do Federal Reserve em face da inflação.

Os economistas Álvaro Frasson e Arthur Mota, do BTG Pactual, ressaltaram que parte do suporte recente ao real se deve a um aumento significativo de entradas em mercados emergentes com forte vínculos às commodities, longe de tensões geopolíticas.

No setor agropecuário, a flutuação cambial é uma variável crítica. A valorização do dólar pode aumentar a receita em reais das exportações de produtos como soja, milho, carnes e café, mas também encarece insumos que são dolarizados, como fertilizantes e maquinário.

O Bradesco aponta que, apesar da perda de ímpeto na movimentação global de realocação de portfólio, a moeda brasileira ainda possui fundamentos que a sustentam, prevendo um câmbio em torno de R$ 5,00 até o final deste ano e do próximo.

No curto prazo, a trajetória do real deverá permanecer suscetível aos fluxos que vão para os Estados Unidos, ao movimento do dólar global, e aos preços internacionais de commodities e energia.

Produtores e agroindústrias são aconselhados a monitorar o câmbio em conjunto com os custos dos insumos e a formação dos preços de exportação, já que os dados disponíveis não detalham os impactos por setor específico.

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