Exportações de café do Brasil caem 7,8% em março de 2026
Queda reflete menor oferta e dificuldades logísticas

As exportações brasileiras de café diminuíram para 3,04 milhões de sacas em março de 2026, uma redução de 7,8% em comparação ao mesmo mês de 2025, conforme o relatório mensal do Cecafé, divulgado hoje.
A receita resultante das vendas recuou para US$ 1,125 bilhão, uma baixa acentuada de 15,1% em relação ao ano anterior. Essa baixa no desempenho é atribuída à entressafra e à diminuição da disponibilidade do grão.
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Márcio Ferreira, presidente do Cecafé, comentou que muitos agricultores estão retendo suas vendas, visando melhores condições de preço, o que tem influenciado negativamente o volume exportado. Adicionalmente, questões externas, como a guerra no Oriente Médio, têm gerado custos elevados de frete e seguro, dificultando ainda mais o setor.
Desempenho no primeiro trimestre e no ano-safra
No acumulado do primeiro trimestre de 2026, as exportações brasileiras totalizaram 8,46 milhões de sacas, representando uma queda de 21,2% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto a receita alcançou US$ 3,37 bilhões, uma redução de 13,6%. Para o ano-safra 2025/26, de julho a março, os embarques contabilizaram 29,09 milhões de sacas, também uma diminuição de 21,2%.
Apesar da retração em volume, a receita no ano-safra cresceu 2,9%, alcançando US$ 11,43 bilhões, impulsionada por preços ainda consideráveis durante o período.
- 1Café arábica: 79,3% da exportação, queda de 25,8%.
- 2Café solúvel: recuo de 1,5%, representando 11,4% do total.
- 3Cafés canéforas: crescimento de 11%, chegando a 9,2%.
Os cafés diferenciados, que incluem produtos sustentáveis e especiais, compuseram 19,1% das exportações no trimestre, somando 1,62 milhão de sacas, no entanto, com uma diminuição de 42,7% em relação a 2025.
Nesse segmento, a receita foi de US$ 730,7 milhões, embora os preços médios tenham sido mais altos, com uma média de US$ 451,56 por saca.
Principais destinos das exportações
A Alemanha se manteve no topo da lista dos países importadores, recebendo 1,19 milhão de sacas, seguida pelos Estados Unidos, que importaram 936,6 mil sacas — uma forte queda de 48,3% em comparação ao ano anterior. Itália, Bélgica e Japão apresentaram resultados mistos.
O Porto de Santos foi responsável por 75,7% dos embarques no trimestre, enquanto o complexo do Rio de Janeiro contribuiu com 20,3% e o Porto de Paranaguá com 1,3%, destacando a concentração das operações logísticas e os problemas estruturais enfrentados pelo setor.
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