Voltar
economia
2 min de leitura

Guerra no Oriente Médio ameaça demanda por alimentos e turismo

Conflito acarreta desafios para exportadores brasileiros e investimento na região.

Gabriel Azevedo27 de maio de 2026 às 05:15
Guerra no Oriente Médio ameaça demanda por alimentos e turismo

A instabilidade gerada pela guerra no Oriente Médio deve afetar seriamente a demanda por alimentos na região nos próximos meses, conforme análise de especialistas consultados pelo Valor. O impacto mais significativo decorre da drástica queda no turismo, com consequências diretas para o consumo.

A escalada do conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel já reverberou em diversos países, onde o Irã retaliou com ataques à Arábia Saudita, Kuwait e Emirados Árabes, enquanto Israel intensificou suas ofensivas no Líbano. Este cenário se torna alarmante para o Brasil, que tem o Oriente Médio como seu principal mercado para exportação de carne de frango, respondendo por 29,8% das vendas, segundo a ABPA.

A previsão de queda na demanda preocupa especialmente empresas brasileiras como JBS e MBRF, que nos últimos anos realizaram investimentos bilionários na região.

Para Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, a validade da região como um dos principais polos promissores para alimentos está em xeque. "Mesmo que a guerra tenha um fim, a percepção de segurança na região foi abalada, o que pode dificultar a atração de novos investimentos e levantar dúvidas sobre o futuro consumo", disse.

Leonardo Alencar, chefe de agro, alimentos e bebidas da XP, complementou que a diminuição no turismo tem forte impacto sobre o consumo. Ele assinalou que, apesar do empenho dos governos locais para manter os mercados abastecidos, a queda na movimentação turística, essencial para algumas economias, pode resultar em uma pressão significativa sobre o consumo local.

"

Dubai, que é um importante centro de negócios, assistiu à relocação de muitos escritórios locais e enfrentou uma queda no consumo, cuja duração ainda é incerta", destacou Leonardo Alencar.

Embora grandes produtores como JBS e MBRF consigam manter suas operações, pequenos exportadores podem causar pressão de baixa ao direcionar suas ofertas para o Brasil, parte do que antes seria destinado ao Oriente Médio.

Não perca nenhuma notícia!

Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.

Ao assinar, você concorda com nossa política de privacidade.

Gostou desta notícia? Compartilhe!

Mais de economia