CEO Gilberto Tomazoni aponta desafios no mercado internacional.

Durante uma teleconferência realizada na terça-feira, 11 de agosto, o CEO da JBS, Gilberto Tomazoni, alertou que o Brasil enfrentará a necessidade de reduzir o abate de gado bovino neste ano. A decisão é motivada pela diminuição da demanda de compradores internacionais, com destaque para a China.
O governo chinês definiu uma cota anual de 1,1 milhão de toneladas para importações brasileiras, significativamente inferior às quase 1,7 milhão de toneladas enviadas em 2025. De acordo com Tomazoni, 90% dessa cota já foi utilizada, mas muitos exportadores pararam de embarcar, receosos de que exceder a quantidade estipulada resulte em uma tarifa adicional de 55%.
✨ A União Europeia também excluiu o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal, complicando ainda mais a situação.
As restrições foram impostas após a União Europeia expressar preocupações sobre a utilização de antimicrobianos na produção brasileira. O Brasil terá que comprovar que cumpre as rigorosas exigências europeias, incluindo o controle do uso de substâncias em toda a vida do animal, um processo que pode levar de dois a três anos.
Tomazoni prevê que a situação do mercado de carne deve se tornar mais saudável em alguns meses, apesar dos desafios atuais. O CEO enfatizou também a importância de reduzir a alavancagem da empresa, que teve um aumento na relação entre dívida líquida e lucro no último trimestre.
Wesley Batista Filho, atual CEO da JBS USA e futuro CEO global da companhia, reafirmou o compromisso com o trabalho de Tomazoni. Ele garantiu que não haverá mudanças drásticas nas estratégias da JBS, já que sua experiência está alinhada com a do atual CEO.
Sobre o segmento de carne de frango, Tomazoni observou que a divisão Pilgrim’s Pride, focada no mercado americano, está enfrentando dificuldades devido a taxas de mortalidade de frangos inferior à média esperada. No entanto, a empresa está implementando mudanças para adaptar sua produção à crescente demanda por cortes porcionados para consumo doméstico.
No Brasil, a unidade Seara deverá ver um aumento na produção de frango de até 5,6% em 2026, com previsões de que o crescimento diminua para 2,8% em 2027.
Wesley Batista Filho ainda comentou sobre a reabertura da fronteira americana para a importação de gado bovino do México, o que deve facilitar a normalização do fornecimento e ajudar a reduzir os custos na operação de frigoríficos americanos.
Com a reabertura gradual de postos de entrada de gado mexicano, que estavam fechados por razões sanitárias, a expectativa é de que a capacidade de importação aumente, permitindo que os frigoríficos se ajustem melhor ao mercado.
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