Maria Bento inova em coquetéis com ingredientes baianos
Mixologista valoriza frutos e ervas locais em seus drinks

A mixologista Maria Bento utiliza ingredientes de seu próprio quintal em Arembepe, na Bahia, para criar coquetéis que fazem sucesso na capital, Salvador. Com 30 anos de experiência, ela lidera um movimento que destaca o uso de frutos e ervas nativas na coquetelaria.
Descendente de uma família com fortes laços com a terra, Bento carrega a tradição rural no seu trabalho. Mesmo morando em um apartamento, ela mantém um espaço dedicado a cultivar suas plantas, reforçando sua conexão com os ingredientes que utiliza.
✨ Bento é reconhecida como a 'mãe da coquetelaria nordestina' por sua abordagem inovadora.
A ideia de incorporar ingredientes locais surgiu na década de 1990, quando Bento percebeu a dificuldade de acessar insumos clássicos. Em vez de depender de importações, ela começou a criar coquetéis a partir dos elementos que tinha à disposição, incluindo flores e ervas.
Inovação em Feira de Santana
Em Feira de Santana, Heloísa Carli também explora a rica biodiversidade do sertão nordestino em suas criações na Tchim Tchim. Ao usar ingredientes como licuri e umbu em suas receitas, Carli enfrentou resistência do público, que muitas vezes confunde os conceitos de sofisticação e tradição.
"O sertão não é oposto de sofisticação. Precisamos revisar nossas teorias sobre coquetelaria
As inovações de Carli renderam a ela prêmios em competições de bebidas em São Paulo e Salvador. Uma de suas técnicas exclusivas é o 'fat wash', utilizando óleo de licuri, uma alternativa aos métodos tradicionais.
Valorização da Coquetelaria Local
Néli Pereira, pesquisadora e mixologista, destaca a importância dos bartenders locais em valorizar ingredientes brasileiros na coquetelaria. Ela defende que o trabalho desses profissionais vai além da bebida; é uma celebração da cultura e da economia regional.
✨ Pereira considera seu trabalho uma pesquisa cultural, exaltando a riqueza da coquetelaria brasileira.
Durante quase uma década, Pereira coletou dados sobre usos de plantas nativas em todo o país, percebendo que muitos ingredientes que não eram valorizados na coquetelaria estão profundamente enraizados na medicina popular.
Ela critica a percepção da bebida como mero entretenimento, enfatizando sua relevância como parte da cultura alimentar do Brasil.
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