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Haiti retira símbolo histórico da camisa antes da Copa do Mundo

Seleção foi obrigada a modificar uniforme após veto da FIFA.

Fernanda Lima12 de junho de 2026 às 10:20
Haiti retira símbolo histórico da camisa antes da Copa do Mundo

Ao se apresentar na Copa do Mundo de Futebol no sábado, dia 13, o Haiti deixará de exibir um símbolo ligado à sua história: a ilustração da revolução que resultou na abolição da escravidão e na independência do país, entre 1791 e 1804. A FIFA vetou a imagem, alegando que se tratava de uma manifestação política, proibida em seus regulamentos.

O desenho controverso exibia um grupo de figuras segurando uma bandeira vermelha e branca, referência à importante Batalha de Vertières. Um porta-voz da seleção haitiana declarou ao The Athletic que a batalha, que ocorreu em 1803, foi fundamental para a derrota das forças francesas no país.

A seleção haitiana se classificou para a Copa do Mundo em 18 de novembro de 2025, coincidindo com a data da batalha.

O professor Gabriel Léccas, especialista em história da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), menciona que não é a primeira vez que o Haiti enfrenta censura em relação a sua história. Em fevereiro, o Comitê Olímpico Internacional desautorizou o uso da imagem de Toussaint Louverture em sua vestimenta durante os Jogos de Inverno na Itália, sob o mesmo argumento de manifestações políticas.

Essas ações refletem um silenciamento da memória revolucionária, além de reforçar discursos racistas que perpetuam hierarquias raciais, segundo o historiador. A revolução haitiana foi também um movimento de resistência contra a opressão colonial.

Um olhar sobre a revolução haitiana

Desde antes da colonização europeia, a ilha que hoje é o Haiti era habitada pelos indígenas Taïno, que chamavam a região de Haïti, significando 'terra montanhosa'. Com a chegada de Cristóvão Colombo em 1492, a ilha foi renomeada para Hispaniola, e sua população indígena foi devastada devido a massacres e doenças. Para suprir a demanda por mão de obra nas plantações, africanos começaram a ser trazidos como escravizados.

Durante o século XVIII, a colônia francesa de Saint-Domingue se destacou por sua economia baseada na produção de açúcar e café, sendo uma das mais lucrativas do império francês. Apesar da abolição formal da escravidão em 1794, as condições de trabalho e vida dos escravizados permaneciam inalteradas.

A Revolução e a Batalha de Vertières

A Revolução de Haiti, iniciada em 1791, foi impulsionada pelo enfraquecimento da França e pela disseminação de ideais de igualdade. Sob a liderança de figuras como Toussaint Louverture e Jean-Jacques Dessalines, a luta se intensificou e resultou em uma guerra de doze anos contra a dominação colonial.

A batalha decisiva ocorreu em novembro de 1803, quando as forças haitianas, sob o comando de Dessalines, conseguiram derrotar o exército francês. Essa vitória culminou na declaração da independência do Haiti em 1º de janeiro de 1804.

Essa revolução não apenas estabeleceu Haiti como a primeira república negra do mundo, mas também influenciou movimentos de emancipação em várias partes do continente.

A revolução haitiana é um marco na luta contra a opressão e um modelo de resistência que reverbera até hoje.

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