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Internacional
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Acordo de cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos traz desconfiança

Assinatura prevista levanta questões sobre sua eficácia

Gabriel Rodrigues14 de junho de 2026 às 23:10
Acordo de cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos traz desconfiança

O anúncio de um acordo de cessar-fogo temporário entre Irã e Estados Unidos gera mais ceticismo do que otimismo, embora represente um avanço nas negociações que duram desde o início do conflito em fevereiro.

Este pode ser o primeiro indício de um real entendimento entre os dois países, que até agora viam as conversas de maneira bem distinta. Enquanto os EUA alardeavam avanços, o Irã desconsiderava essa narrativa, alegando que o entusiasmo dos americanos era apenas 'especulação'. A impressão que se tinha é que Donald Trump tentava, de forma isolada, transmitir uma mensagem positiva em suas redes sociais, buscando encerrar uma guerra impopular para as eleições de novembro, quando parte do Congresso americano é renovado.

Apesar da aparente convergência nas declarações, a natureza do acordo levanta sérias questões sobre sua durabilidade.

Apesar da comunicação mais alinhada, é importante reconhecer as motivações para a desconfiança. Primeiramente, trata-se de um cessar-fogo por 60 dias, não de um acordo de paz definitivo, o que equivale a apenas uma pausa temporária na guerra. Nos últimos três meses, já houve diversas tentativas de trégua que acabaram sendo quebradas rapidamente por ataques de ambas as partes.

Além disso, o acordo ainda não foi oficializado, com a assinatura marcada apenas para sexta-feira, em Genebra. Até a sua formalização, a situação pode mudar drasticamente, considerando que existem fatores-chave em jogo.

Sensibilidades em jogo: Líbano e Urânio

Um dos pontos críticos é a situação no Líbano. Atualmente, os diálogos ocorrem com mediação do Paquistão e do Qatar, mas Israel, um aliado próximo dos Estados Unidos, não parece ter sido incluído nas conversas. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu possui sua própria agenda em relação ao Hezbollah, o que pode complicar as tratativas. Se Netanyahu, diante das eleições, optar por expandir ataques ao Hezbollah, isso poderá impactar a estabilidade do acordo.

Outro ponto crucial é o programa nuclear iraniano. Embora as razões para a guerra estejam ligadas a essa questão, o atual acordo não contempla uma resolução clara sobre o urânio. Sem uma cláusula que trate deste tema, há o risco de que as tensões se reergam, especialmente se houver suspeita de que o Irã está próximo de desenvolver armamento nuclear.

Por ora, a possibilidade de um cessar-fogo traz um alívio imediato, como a redução de ataques, a proteção de vidas e a retomada do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, o que pode impactar positivamente os preços do petróleo e a inflação. Contudo, isso é menos do que os progressos que se esperava inicialmente com o início das hostilidades.

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